Promotor pede inquérito sobre queima de caixões
Promotor pede inquérito sobre queima de caixões19/Mar, 20:28 Por Daniel Navarro, especial para a AE Ribeirão Preto, SP, 19 (AE) - O promotor de Justiça de Barretos (SP), Fernando Célio de Brito Nogueira, solicitou a abertura de inquérito policial para apurar denúncias de irregularidades no cemitério municipal da cidade, que estaria usando um terreno abandonado para depósito e queima de caixões exumados. O promotor pediu que fossem investigados possíveis crimes contra o respeito aos mortos e contra a saúde pública. Para o administrador, Carlos Henrique Augusto, a queima no terreno baldio, localizado atrás do cemitério, foi a solução encontrada para eliminar os restos dos caixões. De acordo com ele, a prática é comum. "Depois de quatro ou cinco anos, abre-se a sepultura e retiram-se os ossos do caixão, que não é mais utilizável", explica. A exumação ocorre tanto nos chamados jazigos perpétuos, para conseguir espaços para o sepultamento de um membro da família proprietária, quanto nas sepulturas normais, na ala verticalizada do cemitério. Quando a família possui jazigo perpétuo, os ossos retornam para o mesmo local. No caso de indigentes ou de outras pessoas que não tenham sepultura, os restos vão para um ossário. "O caixão, retirado e colocado em um terreno próximo, é incinerado à tarde, no mesmo dia", afirma o administrador. Na última semana, em decorrência das chuvas constantes na cidade, quatro caixões permaneceram abandonados no terreno baldio por dois dias, esperando o sol para que fossem queimados. "Essa denúncia, no meu entendimento, é maldosa e de fundo estritamente político", ressalta o administrador. A Vigilância Sanitária ficou sabendo da queima dos caixões na última sexta-feira e determinou que o processo ocorresse na parte interna do cemitério. "Essa é a primeira medida que estamos tomando; depois iremos conversar com o prefeito para a construção de um forno crematório", afirmou o diretor da Vigilância Sanitária, Rubens Pimenta. De acordo com o diretor, os caixões expostos no terreno baldio não ofereciam risco à saúde pública. "O ideal seria a construção de um forno e nós vamos nos empenhar para isso", admitiu. Atualmente, existem 55 mil pessoas enterradas em 9 mil sepulturas e no ossário do cemitério, com 100 anos de existência. De acordo com Augusto, mais de cem pessoas visitam diariamente o local. "Antes os caixões eram queimados do lado de dentro e havia reclamação da vizinhança; mesmo assim, nós já estamos seguindo a determinação da Vigilância", salientou. O inquérito policial está a cargo do 3.º Distrito Policial de Barretos.





