O informe publicitário sobre o conflito dos sem-terra e seguranças na fazenda Borborema, em Tamarana, não representa crime. A afirmação é do promotor da 1ª Vara Criminal, Janderson Camões Iassaka. Ontem, o promotor analisou o material produzido pela Sociedade Rural do Paraná (SRP). O informe denominado de ‘‘Alerta’’ foi veiculado por três emissoras de televisão locais a partir de domingo passado, uma semana após a morte do segurança José Lopes de Oliveira, 36 anos, mais conhecido por Django.
O promotor analisou a fita usada por cada uma das três emissoras - TV Londrina, SBT e CNT - para se certificar de que não continham informações diferentes. ‘‘Não houve crime da Sociedade Rural em mostrar aquelas imagens. São imagens fortes, chocantes, mas mostram a realidade do fato’’, diz Iassaka. O material foi produzido com imagens da própria TV Londrina feitas no acampamento durante o conflito, que culminou com a morte do segurança com um tiro na cabeça.
Os dizeres do ‘‘Alerta’’, segundo o promotor, também não representam crime. ‘‘Não incitam ninguém à violência’’, justifica. Iassaka criticou a conduta da SRP. Segundo ele, o material não retrata totalmente a fidelidade dos fatos. ‘‘Eles não mostram as imagens de sábado quando houve a agressão dos seguranças contra os sem-terra. É uma propaganda política da Sociedade Rural.’
O texto do informe se refere ao conflito como sendo a verdadeira face dos sem-terra. Os dizeres ressaltam que o movimento não tem nada de ordeiro ou pacífico. Ao contrário. O texto fala da frieza com que os sem-terra invadiram a Borborema e de treinamento de guerrilha no movimento. Segundo o promotor, na área criminal não há nada a fazer, mas, ‘‘se alguém quiser’’ o material pode ser analisado dentro da área cível.

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