São Paulo, 14 (AE) - O promotor Igor Ferreira da Silva, de 33 anos, acusado de matar com dois tiros na cabeça a mulher, Patrícia Aggio Longo, grávida de oito meses, não era o pai da criança. O exame de DNA, entregue hoje à Justiça, feito com tecidos extraídos dos corpos e de sangue fornecido por Silva, exclui a paternidade do promotor. O crime ocorreu na madrugada de 4 de junho de 98, em Atibaia, dentro de uma caminhonete Dodge do casal.
Os peritos não puderam afirmar com segurança, "em razão da inexistência de lesões ósseas mensuráveis", o calibre dos projéteis que transfixaram a cabeça da vítima. Não afastam a possibilidade de tratar-se de balas de calibre 380. Os tiros foram disparados de dentro da cabine da caminhonete e, admitindo-se que a arma fosse desse calibre, de uma distância de 5 a 20 centímetros.
No momento em que recebeu o primeiro tiro, que a atingiu na parte esquerda da cabeça, Patrícia estava provavelmente sentada ao lado do motorista, com o rosto parcialmente voltado para a esquerda. O crânio foi impulsionado de encontro ao protetor de cabeça do banco e recebeu, ainda em movimento, o segundo disparo na região temporal.
Alegações finais - Os laudos foram respondidos em conjunto pelos peritos do Instituto Médico Legal (IML), o médico especialista Carlos Alberto de Souza Coelho, e do Instituto de Ciências Criminalísticas, Juarez Montanaro, que é doutor em medicina legal. O laudo de exame de DNA foi redigido pelo professor Mário Hiroyuki Hirata.
O relator do processo, desembargador Franciulli Neto, mandou a acusação e a defesa apresentarem alegações finais em 15 dias. A defesa provavelmente vai tentar derrubar as conclusões dos peritos.
O exame de DNA foi requerido pelo advogado de defesa, Márcio Thomaz Bastos, para reforçar a argumentação de que Silva não tinha motivos para matar a mulher, com a qual vivia em harmonia, segundo os próprios pais da vítima.
Calibre - A não-exclusão da possibilidade de tratar-se de arma de calibre 380 também não favorece o réu. A polícia encontrou dentro da caminhonete duas cápsulas deflagradas desse tipo. Posteriormente, na casa do promotor, dezenas de outros cartuchos do mesmo calibre foram achados pelos policiais.
Ainda na fase de inquérito a perícia assegurou que, pelo exame do picote, não há dúvida de que todos foram disparados pela mesma arma que matou Patrícia. Silva tinha uma arma de calibre 380, que desapareceu. Ele disse que a vendeu, mas não sabe para quem. Inocente - O promotor garante ser inocente. Ele alega que, na entrada do Condomínio Shangrilá, no km 45 da Rodovia Fernão Dias, ele e a mulher foram abordados por ladrões, que o obrigaram a descer e levaram o veículo com a mulher . Silva correu a um posto da Polícia Rodoviária.
O carro foi encontrado a poucos quilômetros dali por policias civis. Patrícia estava ferida dentro da caminhonete. Chegou a ser levada para a Santa Casa de Atibaia, onde morreu. Os médicos fizeram uma cesariana na tentativa de salvar o bebê, um menino, mas a criança já estava morta.

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