BELÉM - O promotor Mauro Mendes, de Tucuruí, 320 quilômetros a sudeste de Belém, mandou abrir inquérito para apurar o envolvimento de 20 donos de boates da cidade de Novo Repartimento com a prostituição de menores de 11 a 17 anos. No sábado, o menor Jeferson Frazão dos Santos, de 16 anos, foi assassinado com 21 facadas quando tentava resgatar de um bordel a namorada, de 14 anos. A delegada Ana Guedes, encarregada do inquérito, está tentando prender a mulher conhecida por Beth, foragida. Ela é a principal acusada do crime. Beth, junto com um homem de nome Davi, e outro de apelido ‘‘Major’’, atraíram Jeferson para uma armadilha.
Donos de boates na cidade, os três teriam se vingado de Jeferson, que possuía uma fita com gravações de menores denunciando diversos comerciantes no aliciamento à prostituição. A fita, segundo uma testemunha sob proteção da polícia, foi levada por Beth na fuga. O promotor lembrou que um dono de boate, Mazinho Silva, admitiu a exploração sexual de crianças ao explicar a uma emissora de tevê de Tucuruí que as menores frequentavam seu bordel ‘‘porque queriam’’. ‘‘Eu não chamo ninguém; elas chegam com suas próprias pernas e sabem onde se metem’’, completou Silva.
Segundo Mendes, o crescimento da prostituição infantil em Novo Repartimento se deve a falta de políticas públicas para a geração de renda e emprego aos pais dos menores. Mendes também responsabiliza as autoridades governamentais pelo ‘‘descaso total’’ em relação ao problema. Ele disse que a polícia está desaparelhada e a Justiça sequer possui moradia para o juiz.

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