Brasília, 11 (AE) - O promotor de Justiça de Defesa do Consumidor Guilherme Fernandes Neto considerou que os depoimentos prestados hoje na 8ª Vara Criminal do Distrito Federal confirmaram que a construtora Encol iludiu seus ex-clientes. As testemunhas de acusação foram ouvidas no processo por informação fraudulenta que teria sido prestada em correspondências a compradores de imóveis da Encol.
Em uma das cartas, datada de 15 de janeiro de 1996, o ex-presidente da construtora, Pedro Paulo de Souza, sustenta que "ao longo de 34 anos" a empresa nunca deixou de entregar um imóvel. Em outra, de 30 de outubro de 1995, Souza informou que, a pedido da construtora, o Banco Pactual havia analisado a situação econômico-financeiro-administrativa da empresa. Segundo o ex-presidente da Encol, a análise teria concluído que "a Encol é uma empresa saudável e totalmente viável, tanto nos aspectos econômicos quanto financeiros".
Segundo o promotor, as informações enganaram os ex-clientes da Encol "enquanto o patrimônio da empresa era dilapidado". Ele disse que os balanços da empresa já demonstravam uma queda na receita desde 1993.
Além do processo por informação fraudulenta, outros dois tramitam na 5ª Vara Criminal do Distrito Federal: um por gestão temerária e outro por distribuição de dividendos fictícios. Os testemunhos foram prestados na frente do ex-presidente da Encol.
Visivelmente abatido e mais magro, Souza chegou a tomar um remédio contra hipertensão. Ao final, disse que vai demonstrar que a situação patrimonial da empresa era "fantástica". Além das ações em Brasília, um quarto processo tramita na Justiça de Goiânia e discute a falência da empresa. O Ministério Público deu um parecer favorável à decretação da falência e o juiz Avenir Passos de Oliveira disse hoje que deve dar o seu despacho na próxima semana.

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