Promotor denuncia hoje policiais de SP
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domingo, 06 de abril de 1997
Agência Estado, de São Paulo 
Homicídio, formação de quadrilha, agressão, extorsão. Estas são as acusações existentes na denúncia do promotor José Carlos Guillem Blat aos policiais militares da 2ª Companhia, do 24º Batalhão, de Diadema, apontados como responsáveis na Favela Naval pelo assassinato do escriturário Mário José Josino.
Os PMs também são apontados como responsáveis pelo espancamento sofrido pelos amigos do escriturário, o vendedor Antônio Carlos Dias e o auxiliar de departamento de pessoal Jefferson Sanches Caputi. A denúncia será apresentada hoje à tarde à juíza Maria Conceição Pinto Vendeiro, da 3ª Vara Criminal de Diadema, que na sexta-feira decretou a prisão preventiva dos PMs.
Nove estão presos desde 26 de março. O décimo, o cabo Ricardo Luiz Buzzeto, que era homem de confiança do ex-comandante do 24º Batalhão, tenente-coronel Pedro Pereira Mateus - que também está preso - prometeu se apresentar à Corregedoria da PM. Ele fez um relatório por determinação de Mateus denunciando os demais militares e teme ser morto.
Blat passou o domingo à frente de um computador concluindo os últimos detalhes da denúncia. Ele analisou a participação de cada um dos acusados e ao se referir ao soldado Otávio Lourenço Gambra, o Rambo, apontado como o autor do tiro que matou Josino, observou que o policial é violento, tem verdadeira adoração por armas e é visto na filmagem sempre com o revólver nas mãos.
A denúncia do promotor foi preparada com base nos depoimentos das vítimas de agressão, dos moradores da favela que testemunharam a violência dos militares por vários meses e do laudo do Instituto de Criminalística da Polícia Civil, preparado com base na fita de vídeo gravada nos dias 2 para 3, 4 para 5 e 6 para 7 de março, com as imagens dos espancamentos e do tiro no carro onde estava o escriturário.


