Maceió, 19 (AE) - O promotor Luiz Vasconcelos denunciou hoje por co-autoria nas mortes do empresário Paulo César Farias, o PC Farias, e da namorada dele, Suzana Marcolino, oito dos nove indiciados pela Polícia Civil de Alagoas.
Só ficou de fora o deputado Augusto Farias (PPB-AL), irmão de PC Farias, porque tem foro privilegiado. Foram denunciados os policiais militares Reinaldo Correia de Lima Filho, Adeildo Costa dos Santos, José Geraldo da Silva e Josemar Faustino dos Santos (que trabalhavam como seguranças de PC), além dos caseiros Leonino Tenório de Carvalho e Marize Vieira de Carvalho do garçon Genival da Silva França e do vigia Manoel Alfredo da Silva.
Vasconcelos adiantou que, diante dos indícios, provas materiais e periciais obtidas pela Polícia Civil, "a denúncia tronou-se inevitável." Segundo o promotor, o assassino ou está entre os dennciados ou os acusados sabem quem foi e fizeram um pacto de silêncio. Quanto aos motivos do crime, o promotor disse que PC morreu porque se envolveu com o crime organizado nacional e internacional, na lavagem de dinheiro. "Para mim, foi queima de arquivo", afirmou Vasconcelos, acrescentando que chegou a essa conclusão com base em informações sigilosas que recebeu da Polícia Federal (PF) sobre a movimentação de contas bancárias no exterior.
"PC estava perdendo o controle das contas no exterior, controladas por ele, mas administradas por outra pessoa; ele era apenas um gerente e, como tal, pagou caro por isso porque as operações desandaram, provocando uma perda muito grande de dinheiro", explicou o promotor, acrescentando que todas as hipóteses quanto à motivação levam a questões relacionadas a dinheiro, poder e acúmulo de informações comprometedoras. Sobre as suspeitas levantadas pelas irmãs da mulher de PC Farias, Elma Farias, quanto ao envolvimento de Augusto Farias na morte do irmão, o promotor disse que esta possibilidade também não foi descartada.
O promotor disse que o trabalho, iniciado em 1998, estava encerrado com a entrega da denúncia ao juiz Alberto Correia de Lima, titular da 2.ª Vara Especial Criminal. O representante do Ministério Público Estadual (MPE) nesta vara é o promotor Eduardo Tavares Mendes. "Ele é o promotor natural para assumir o caso daqui por diante, a não ser que ele não queira realizar o trabalho", explicou Vasconcelos. A divulgação do relatório da denúncia, com 112 páginas, foi feita na presença do secretário de Segurança Pública de Alagoas, Edmilson Miranda, e do delegado da Polícia Civil, Antonio Carlos Lessa, responsável pela última fase de investigação do indiciamento dos nove suspeitos.
O promotor entregou a Miranda um requerimento pedindo a abertura de inquérito policial para apurar as falhas cometidas pelos responsáveis pela primeira fase das investigações sobre as mortes de PC e Suzana. Serão investigados os delegados Cícero Torres, responsável pela primeira fase do inquérito, o médico legista Fortunato Badan Palhares (chefe dos peritos que assinaram o laudo reafirmando a tese de crime passional; homicídio seguido de suicídio) e a psicóloga Liliana Adolfo Guimarães. "O objetivo é apurar se as falhas grosseiras dessa primeira fase das investigações foram cometidas por má-fé ou negligências", afirmou Vasconcelos.
Quanto a Augusto farias, também indiciado pela polícia na morte de PC Farias, o promotor não quis dizer se o denunciaria ou não. "Essa atribuição não é minha, é do Ministério Público Federal (MPF); portanto, não foi analisada", afirmou, informando que o caso está no Supremo Tribunal Federal (STF), que ouvirá a Procuradoria- Geral da República para decidir se pede licença à Câmara com o objetivo de processar ou não o deputado. Em entrevista à imprensa, Augusto Farias tem refutado todas as acusações contra ele e diz que continua acreditando na tese de crime passional. Para ele, Suzana matou PC e, depois, suicidou-se.
Para Vasconcelos, essa tese está totalmente descartada. "Não tenho dúvida de que houve um duplo assassinato", afirmou, garantindo que Suzana nem matou PC e nem se matou. "De acordo com exames residuográficos, realizados no IML (Instituto Médico-Legal) de Salvador, Bahia, nas mãos dela, não foram encontrados elementos como chumbo, antimônio e bário, que seriam indispensáveis para comprovar que ela havia atirado", explicou o promotor, acrescentando que a namorada de PC foi morta em movimento, quando sentava ou se levantava da cama, em posição de defesa, como se quisesse segurar no cano da rama para evitar o disparo fatal.

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