Promotor de show trágico tem sócios
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quinta-feira, 05 de junho de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A mãe de Athayde de Oliveira Neto, promotor do show de rock ''Unidos pela Paz'', Raquel Silveira Oliveira, disse ontem que seu filho não estava sozinho na organização porque nem teria condições financeiras para bancar um evento desse porte. A declaração foi dada em uma rápida entrevista para a Rede Paranaense de Comunicação (RPC), afiliada da Globo no Paraná. O show que, segundo ela, está inteiramente pago, reuniu quatro bandas conhecidas Raimundos, Tihuana, Natiruts e Charlie Brown Jr e teve ampla divulgação em emissoras de televisão e rádio. Três adolescentes morreram pisoteados num tumulto na entrada do show.
As investigações em torno da responsabilidade pela organização do show ficam cada vez mais confusas. Os pedidos de alvará para realização do evento junto aos órgãos competentes são feitos em nome de Athayde de Oliveira Neto, que está com prisão temporária decretada e continua foragido, mas são assinados por Suelen Silveira, que seria prima de Athayde. Ela será ouvida hoje na Delegacia de Homicídios.
O pai de Athayde, Athayde de Oliveira Júnior, também deverá prestar depoimento à polícia hoje. Ele assina o pedido de alvará para entrada de adolescentes no show em nome da empresa Restaurante Dançante Macallan Ltda.
Um outro nome o de Joslaine Mesler aparece no contrato com a empresa LRS Prestadora de Serviços que faria a segurança do show. Os representantes da empresa já informaram à polícia que os profissionais destacados para o evento eram orientadores de público. ''Queremos saber por que ela assinou um contrato que estava em nome do Athayde'', disse o superintendente da Delegacia de Homicídios, Neimir Cristóvão. Joslaine, segundo ele, é funcionária de uma empresa de comunicação. Ela deveria prestar depoimento ontem, mas seu advogado pediu que fosse marcada nova data.
Os advogados de Athayde, Júlio Militão e Raul Rangel, entraram ontem com pedido de habeas corpus junto ao Tribunal de Alçada (TA). Rangel entende que a prisão temporária é ilegal. Os advogados aguardam julgamento do habeas corpus para, depois, apresentar Athayde.
Diferente do que foi publicado na edição de ontem, a quebra de sigilo bancário do organizador do show foi decretada apenas ontem pelo Juízo da Central de Inquéritos. Com a medida adotada pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC), todos os saldos bancários de Athayde no País ficam bloqueados.


