Promotor de show trágico está foragido
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terça-feira, 03 de junho de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O promotor do show de rock ''Unidos pela Paz'', onde três adolescentes morreram pisoteados depois de um tumulto na entrada do evento realizado no último sábado, Athayde de Oliveira Neto, 23 anos, continua foragido. O advogado que o representava, Carlos Humberto Fernandes Martins, queria que seu cliente se apresentasse à polícia ontem. Como a família não concordou com esse posicionamento, ele abandonou o caso.
Os novos advogados de defesa de Athayde, Raul Rangel e Júlio Militão, contratados na noite de segunda-feira, informaram ontem que entraram com pedido de habeas corpus junto ao Tribunal de Alçada (TA). Martins já havia ingressado com o mesmo recurso jurídico na Central de Inquéritos, mas o pedido foi negado.
Militão defende que não há razão para Athayde ser preso. Para ele, a prisão temporária só se justificaria no caso do acusado poder atrapalhar as investigações. ''Por ser um fato público e notório ele não iria interferir em nada no inquérito'', argumentou.
O advogado informou, ainda, que vai aguardar o julgamento do TA para decidir o momento de apresentar seu cliente à Delegacia de Homicídios, que está investigando o caso. Mesmo que a decisão seja desfavorável, Athayde irá se apresentar, garantiu.
O delegado responsável pelo caso, Rinaldo Ivanicke, disse já ter provas de que não havia segurança no local do show. Ontem, foram ouvidos os representantes da empresa LRS Prestadora de Serviços, que teria sido contratada para fazer a segurança do show. As pessoas enviadas para o evento, segundo o depoimento, eram apenas orientadoras de público e não tinham qualificação para o trabalho de segurança.
A Prefeitura de Curitiba decidiu, ontem, que vai multar o promotor do show em R$ 90 mil por ter realizado o evento sem alvará e desrespeitando as condições impostas na autorização ambiental. Segundo o procurador-geral do município, Maurício de Ferrante, Athayde pode ser autuado, ainda, por omitir a quantidade de ingressos vendidos. A prefeitura teria sido informada que foram apenas 10 mil entradas e calculou o valor do Imposto Sobre Serviços (ISS) em R$ 3,6 mil, com base nessa informação. O Jockey Club do Paraná, dirigido pelo secretário de Estado da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul, Luiz Mussi, também poderá ser autuado como co-responsável, complementou Ferrante.
O comandante-geral da Polícia Militar, coronel David Pancotti, declarou ontem que ''só o município poderia ter embargado o show'', já que não havia licença para o evento. Disse que, mesmo sem a formalização do pedido de policiamento, foram encaminhadas 10 viaturas e 12 policiais para o local do show. Pela quantidade de pessoas, ele admitiu que seriam necessários 800 policiais.
Ferrante rebateu a afirmação do comandante da PM, dizendo que ''mesmo que tivesse alvará, quando a atividade oferecer risco, é dever da polícia tomar qualquer atitude''.


