Curitiba - O promotor do show ''Unidos pela Paz'' que ocorreu no Jockey Clube no dia 31 de maio, Athayde de Oliveira Neto, foi ouvido em juízo ontem pela primeira vez na 3 Vara Criminal de Curitiba. Segundo o advogado Júlio Militão, o produtor sustenta que o tumulto, que resultou na morte de três adolescentes pisoteados, ocorreu no lado de fora do clube, e que, portanto, a responsabilidade é da Polícia Militar (PM).
Neto responde a processo criminal por homicídio duplamente qualificado por dolo eventual (quando a pessoa não deseja a morte ou ferimento de outros, mas sabe que isso pode ocorrer). Responde ainda por dois delitos de lesões corporais de natureza grave, estelionato e falsidade ideológica. O pai do produtor, Athayde de Oliveira Júnior, que também foi ouvido ontem na sessão, é acusado de falsidade ideológica.
Quando foi solicitado à PM que prestasse segurança no local, Athayde deveria pagar uma taxa de R$ 700,00, que equivaleria à presença de 16 policiais no local. ''Ele achou que o valor era alto demais para um número pequeno de policiais, e acabou não pagando a tal taxa'', conta Militão. No entanto, segundo o advogado, é obrigação da PM comparecer a eventos com grande concentração para prestar segurança externa, nas ruas, o que não ocorreu. ''A responsabilidade de Athayde era prestar segurança interna, e, para isso, ele contratou 300 seguranças e três ambulâncias, que garantiram realmente a segurança dentro do Jockey Clube'', esclarece.
O Ministério Público acusa Athayde de falsidade ideológica porque quem fez a solicitação do alvará ao Juizado de Menores foi o pai de Athayde, uma vez que este deveria ser feito em nome de pessoa jurídica. ''O alvará foi, então, solicitado no nome de um restaurante de Athayde de Oliveira Júnior, mas concedido no nome de Athayde de Oliveira Neto. Isso é o que alega o Ministério Público'', diz o advogado.
Quanto ao crime de estelionato, segundo Militão, o produtor é acusado de ter vendido mais convites do que a casa comportava, lesando aqueles que compraram seus ingressos mas não puderam entrar no clube devido ao tumultuo. O produtor alega que vendeu 22 mil convites e doou 5 mil, que era o que a casa comportava.
O comandante geral da Polícia Militar, coronel David Pancotti, afirmou que a PM só se pronunciará em juízo. O coronel disse que não tem autorização da Secretaria de Estado de Segurança Pública para prestar qualquer tipo de informação.

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