Promotor critica companhias elétricas
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quinta-feira, 24 de setembro de 1998
Sid Sauer 
O coordenador estadual das promotorias do Meio Ambiente do Paraná, SaintClair Honorato dos Santos, criticou ontem a a Copel, a Eletrosul e a Cesp pela falta de preservação da mata ciliar ao longo dos lagos formados com a construção de hidrelétricas nos rios Paraná, Iguaçu e Paranapanema. Essas grandes companhias estão em débito com a sociedade brasileira, ressaltou. A crítica foi feita durante discurso no 1º Fórum Regional sobre a Conservação da Biodiversidade da Bacia do Rio Piquiri, que aconteceu durante todo o dia em Campo Mourão, noroeste do Estado.
Segundo o promotor, as companhias de eletricidade cobram da população pelos serviços que realizam e que, por isso mesmo, já está na hora delas darem sua contra-prestação à sociedade. O Ministério Público está cobrando a reposição das matas às margens dos lagos, destacou SaintClair. De acordo com ele, os lagos artificiais de hidrelétricas devem ser margeados por 100 metros de mata nas áreas rurais e por 30 metros nas áreas urbanas, o que não estaria sendo respeitado pelas companhias elétricas.
No discurso que fez durante o Fórum de Biodiversidade, SaintClair fez elogios à recente lei que tornou crime uma série de práticas contra o meio ambiente. A sociedade brasileira caminha no rumo certo, disse. Para ele, a população deseja e quer a proteção ambiental e cabe ao Estado criar mecanismos para que isso funcione. Estamos num caminho sem volta, frisou.
O promotor Luiz Barleta Marchioratto, de Foz do Iguaçu, também participou do fórum sobre o Rio Piquiri. Ele falou da experiência que teve quando trabalhava na região de Pitanga, onde foi criada a Associação de Defesa da Bacia Hidrográfica do Rio Piquiri. Segundo Marchioratto, a entidade realizou nove encontros desde 1995 para discutir a preservação do rio. Procuramos sensiblizar prefeitos, vereadores, promotores, bancos e mesmo órgãos do governo para a importância da preservação ambiental, frisou.
Marchioratto lamentou que muitas propostas sequer saíram do papel, incluindo as do primeiro encontro, realizado em Formosa do Oeste. O promotor, no entanto, disse que o custo de recuperação da mata cilitar é pequeno e que isso pode ser feito com uma política mais efetiva do Estado. Soluções existem, ressaltou. Marchioratto disse que está há poucos dias em Foz do Iguaçu e que já pensa em iniciar um trabalho internacional para preservação do Rio Paraná. Vamos mexer também com outros países, destacou.


