Salvador, 29 (AE) - O promotor Gildásio Amorim, do município de Paripiranga, no sertão da Bahia, deixou os moradores do local perplexos ao afirmar em solenidades públicas que o baiano é "preguiçoso e comodista". Austero, Amorim ficou conhecido, no ano passado, por ameaçar prender os pais que não matriculassem seus filhos da escola municipal. Resolveu o problema dos meninos de rua do município com as ameaças.
Nos últimos meses, ele voltou à carga, pois percebeu que vários alunos abandonaram a escola. Os pais foram intimados a explicar porque e, sentindo-se, constrangidos pelo promotor, pediram providências aos vereadores de Paripiranga. Esses convocaram uma audiência pública há uma semana para discutir o assunto com Amorim e os pais de alunos. O promotor não se intimidou: reforçou suas críticas quanto ao estilo "folgado" do baiano, achando que ele não se interessa em se educar e na formação profissional, "só quer saber de farra". Reforçou sua tese sobre a preguiça baiana, lembrando que "não é à toa" que em Salvador só existe uma universidade federal. Para comparar, lembrou que em Minas Gerais, por exemplo, são nove universidades federais. "Agora vá ver o número de academias de dança em Salvador", ironizou, aludindo ao fato da capital baiana ser a cidade mais festeira do Brasil.
O prefeito de Paripiranga, José Carvalho, elogia o trabalho do promotor para colocar as crianças na escola, mas diz não concordar "com o rigor com que vem aplicando". Irritados, os pais dos estudantes querem que Amorim se retrate e retire publicamente a "ofensa", como consideram a pecha de "preguiçoso" do baiano.

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