São Paulo - Contradições sobre horários e a sequência dos fatos no dia (sábado passado, 29/3) em que Isabella Nardoni, de cinco anos, morreu marcam os depoimentos do pai da menina, Alexandre Nardoni, de 29 anos, e da madrasta, Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, de 23. A afirmação é do promotor do caso, Francisco Cembranelli, do 2º Tribunal do Júri de São Paulo. As declarações do casal, preso desde anteontem, também diferem dos depoimentos das testemunhas, conforme destacou Cembranelli ontem. ''As versões não se completam, se chocam.'' A prioridade da investigação, neste momento, é justamente esclarecer divergências. A garota morreu há uma semana, após ser jogada do 6º andar do edifício London. Cerca de mil pessoas acompanharam a missa de 7º dia de Isabella.
Um exemplo de divergência nos depoimentos é o fato de constar do boletim de ocorrência a informação de que Nardoni teria dito aos policiais militares que atenderam ao caso que a porta do apartamento estava arrombada e de que ele teria visto uma pessoa fugindo após a tragédia. Já no depoimento, afirmou que a porta estava trancada e não mencionou a existência de outra pessoa.
Cembranelli também disse que chama a atenção o fato de o casal não ter falado sobre o sangue no apartamento, que era bastante visível. Após visitar o prédio ontem à noite, ele disse que havia sangue no chão do corredor e ''gotículas'' na parede.
O promotor não entrou em detalhes sobre as contradições, porque o caso está sob sigilo, mas adiantou que ''certamente, será feita uma acareação entre os suspeitos e também deles com testemunhas''. Ele afirmou não ter dúvidas de que houve um crime - e não, por exemplo, um acidente - e disse que as investigações não caminham para ''responsabilizar inocentes''. Segundo ele, é ''improvável'' a versão do casal de que uma terceira pessoa tenha cometido o crime.
Cerca de 15 depoimentos foram tomados até agora pela polícia. O promotor estima que esse número deve triplicar até o fim da investigação. Os peritos que trabalharam no exame necroscópico e no local do crime devem ser chamados. Além disso, algumas pessoas terão de ser ouvidas novamente para resolver dúvidas que surgiram ao longo da apuração. Até um novo depoimento da mãe de Isabella, Ana Carolina Cunha de Oliveira, deve ser pedido. Já o casal voltará a depor na segunda.
Seus advogados criticaram ontem as prisões, alegando que não há provas que justifiquem a detenção dos dois. Eles devem entrar com pedido de relaxamento da prisão na próxima semana.

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