Promotor acusa coronel que chefiou massacre de Eldorado dos Carajás
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segunda-feira, 07 de junho de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 08 (AE) - O promotor Marco Aurélio Nascimento, responsável pela denúncia contra 153 policiais militares envolvidos no massacre de 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás, no Pará, entregou hoje ao Tribunal de Justiça a acusação contra o comandante da operação, coronel Mário Pantoja. O libelo será lido na abertura do julgamento dos acusados, que deve ser em agosto, segundo previsão do juiz Ronaldo Vale. O massacre foi em abril de 96.
O Ministério Público, segundo Nascimento, vai provar que Pantoja, como comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar em Marabá, "comandou o assassinato de 19 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, em concurso com os demais acusados, policiais militares, seis oficiais e 143 praças".
A tese do promotor é de que as lesões descritas nos laudos de exame de corpo de delito das vítimas foram as causas das mortes dos 19 sem-terra. "Os réus provocaram uso de meio que resultou em perigo comum, empregando recurso que impossibilitou a defesa das vítimas", argumenta o promotor. Nascimento arrolou entre as testemunhas do massacre a jornalista Marisa Romão e o cinegrafista Raimundo Osvaldo Araújo, além dos funcionários públicos José Luiz Melo, Rita Reis e Pedro Alípio da Silva.
Nascimento informou que 150 militares estarão no banco dos réus. Um oficial da PM foi excluído da denúncia, porque ficou provado que ele não estava no local dos crimes. E outros dois soldados foram mortos a tiros em Parauapebas, no início deste ano.


