São Paulo, 12 (AE) - As promessas feitas pelos vereadores governistas para tentar melhorar a imagem da Câmara Municipal em pleno auge da crise política, provocada pelas investigações sobre a máfia dos fiscais, não saíram do papel. A primeira proposta de reação foi esboçada por um grupo formado por, pelo menos, 16 parlamentares que apóiam o prefeito Celso Pitta (sem partido), que lançou e prometia aprovar um "pacote" para limitar gastos e acabar com as mordomias mantidas há anos pelo Legislativo de São Paulo.
As medidas de redução de gastos foram anunciadas em 14 de abril, exatamente três dias depois de o Estado publicar o caderno especial Câmara Municipal S.A., que revelou as elevadas despesas produzidas pela Câmara. Quase 60 dias depois de propostas as medidas, o projeto de resolução continua parado e nem sequer começou a ser analisado pelas Comissões Permanentes.
Os principais cortes a ser realizados são: extinção da frota de veículos que servem os vereadores, o fim do lanche dos parlamentares e a suspensão da TV São Paulo por 180 dias e do comissionamento de funcionários. Além disso, os governistas defendiam acabar com o salão de barbeiro, engraxate e desativar a gráfica da Câmara.
A economia prevista, segundo os próprios parlamentares, seria de R$ 12,1 milhões ao ano. À estratégia governista, seguiu-se uma reação imediata de integrantes da oposição.
O 1.° secretário da Mesa Diretora, vereador Devanir Ribeiro (PT), disse à época que os cortes propostos não passavam de "perfurmaria" e poderiam até aumentar as despesas.
Ribeiro argumentou que, ao romper o contrato com a TV São Paulo, a Câmara teria de arcar com multa elevada. O fechamento da barbearia e do serviço de engraxate implicariam o reaproveitamento dos funcionários, que têm garantias previstas em lei. O vereador apresentou outro projeto de resolução, propondo limitar gastos com salários por gabinete, o número de funcionários a serviço dos vereadores, extinguir os gabinetes de suplentes e os cargos das lideranças de bancadas com menos de três vereadores.
Reformas - O custo estimado, segundo o vereador, seria de R$ 24 milhões. Ribeiro preparou ainda outro projeto de resolução, que prevê uma reforma administrativa na Câmara. O único problema é que nenhuma das três propostas prosperou. "Está tudo parado", admitiu o porta-voz do grupo governista, vereador Bruno Feder (PTB).
"Fiz a minha parte entregando as propostas à Mesa Diretora, mas infelizmente não depende da minha vontade colocar em plenário", justificou Devanir Ribeiro. De acordo com Feder, a Câmara vive alguns sintomas pós-Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais e há um tempo natural para retomar o ritmo normal. "Estamos definindo algumas estratégias para retomar a produtividade e começarmos a discutir as propostas que estão aguardando decisão", afirmou Feder.
Em conversas reservadas, vereadores da oposição e da situação admitem que há resistências internas ao corte de gastos.
Dificuldades - De acordo com um vereador do PSDB, que pediu que o seu nome não fosse revelado, há vários parlamentares da oposição e da situação que não querem ceder e, por isso, dificultam a tramitação dos projetos de redução de gastos.
A líder da bancada do PT na Câmara, Aldaíza Sposati, disse que a reforma administrativa é fundamental.
Aldaíza afirma que enquanto os recursos humanos e materiais oferecidos pela Câmara não deixarem de ser precários, os vereadores continuarão necessitando de serviços especializados em seus próprios gabinetes.

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