A esperança profunda de Sandro Vilar na ressurreição de seu filho Bruno, de um ano e meio e a fé nos milagres de sua Igreja, quase custou a vida de dois pastores da comunidade que iriam ser linchados pelo povo da vila Primavera, em Guaíba (Região Metropolitana). Os policiais da cidade ainda procuram os pastores Ulisses e Marco Antônio, da Igreja Pentecostal Fortaleza de Deus que fugiram depois de terem prometido ressuscitar um menino morto na última segunda-feira. O delegado Ajaribe Rocha Pinto resolveu indiciar os dois por falsidade ideológica e abuso de crença ou fé pública dos pais.
Depois de quatro dias a espera do milagre da ressurreição do menino prometida pelos dois pastores, a família resolveu sepultá-lo, o que foi feito às nove horas de ontem, no setor de indigentes do hospital municipal da cidade. Depois de sepultar o corpo da criança, o pai do menino, Sandro Vilar prestou depoimento na delegacia de polícia onde contou toda a história e pediu clemência aos pastores.
Ele disse aos policiais que durante uma crise de asma levou a criança para o Hospital Infantil Santo Antônio, na capital, onde o seu filho já chegou morto por parada respiratória. Os pastores da Igreja que frequenta disseram que poderiam reviver o menino através de orações, o que deveria ter ocorrido ontem, às 19h30. Como a criança não ressuscitou, os vizinhos que aguardavam o milagre, queriam linchar os pastores, que fugiram.
Porém, antes de escapar, os dois pastores prometeram a Sandro que seu filho ressuscitaria às 3 horas da madrugada de ontem. Sandro acalmou os vizinhos e ficou orando com a família até a hora prometida, mas a criança continuava morta depois de quatro dias. Por isso, resolveu a sepultá-la. Em, seguida foi até a polícia para contar a história. Sandro explicou que os pastores não pediram dinheiro. Para o delegado de Guaíba, Ajaribe Rocha Pinto, a miséria a ‘‘é a principal causadora desta esperança no miraculoso’’. Ele enviou o caso para o Ministério Público.

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