A maioria dos trabalhadores que foram deportados da Inglaterra não conseguiu se adaptar às condições do emprego que encontraram por lá. Um vendedor de Maringá, que pediu para não ser identificado, confirma que saiu do Brasil com a promessa de um salário médio de R$ 3,5 mil com garantia de moradia, alimentação e transporte em um emprego na indústria de alimentação. Quando chegou lá o trabalho era na colheita de legumes. Sem roupas adequadas, ele não conseguiu suportar as condições e procurou outro emprego, quando foi localizado pela polícia e deportado. ‘‘É humilhante’’, resume.
Outros não conseguem chegar ao destino. Maicon Adriano de Abreu Gomes, de Nova Esperança, conta que foi com o emprego garantido por uma pessoa da cidade, conhecido como Cláudio. Junto com um grupo que não soube quantas pessoas tinha, desembarcou em Paris e seguia por terra até o porto, de onde foi para Dover, do outro lado do Canal da Mancha. ‘‘Alguns já estavam ao lado do ônibus quando a polícia de fronteira abriu a mala de quatro brasileiros’’, lembra.
Todos foram chamados de volta e deixados no lado francês. ‘‘A gente não sabia o que fazer’’, conta Gomes. Com a ajuda de portugueses conseguiram comprar passagem até Paris e aguardar o embarque de volta. ‘‘Dormimos quatro noites no aeroporto, gastei mais de R$ 5 mil, mas graças a Deus estou aqui’’, conta. Ele diz que pessoas que conseguiram entrar, com a promessa de ganhar R$ 3 mil, consegue no máximo R$ 1,5 mil trabalhando 15 horas por dia.
A maioria das vítimas prefere não falar com a imprensa. Uma agente de viagem de Maringá, que pediu para não ser identificada, diz que os trabalhadores ‘‘se entregam’’ na imigração. Todos entram como turistas, com pacotes de quatro dias de estada, sem destino dentro da Europa, e levam malas como se fossem se mudar para o país. Alguns, diz a agente de viagem, chegam a levar feijão, café e principalmente remédios. ‘‘A situação tem criado embaraços até para turistas que vão para a Europa passear’’, diz ela. (M.Z.)

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