São Paulo, 14 (AE) - Um grupo formado por pelo menos 16 vereadores da bancada que ainda apóia o prefeito Celso Pitta (sem partido) decidiu hoje à noite criar um pacote de Economia e Moralização da Câmara, com o qual prometem acabar com as seguintes despesas: frota de carros oficiais, desativação da gráfica, suspensão da TV São Paulo por 180 dias e o fim dos serviços de barbearia e de engraxate e suspender o comissionamento de funcionários municipais.
Levantamento fornecido pelo grupo mostra que, com as medidas de contenção, a economia seria de R$ 12,2 milhões por mês. Assessores legislativos ligados ao PT acreditam que os cortes propostos pelos governistas não passam de "perfumaria", pois não representam os custos mais representativos da Câmara.
Do Orçamento previsto para a Câmara neste ano -- cerca de R$ 138 milhões --, mais de 90% serão destinados ao pagamento de salários. Entre os mais de dois mil funcionários da Câmara, há empregados que têm salários de mais de R$ 30 mil mensais. Na prática, recebem valores bem inferiores por causa do teto salarial fixado pela legislação em vigor. Esses vencimentos elevados existem por causa de várias gratificações criadas no passado.
A princípio, o projeto de parte dos vereadores governistas não altera essa situação. O 1o. secretário da Mesa Diretora, vereador Devanir Ribeiro (PT), o pacote proposto, na verdade, trará mais despesas. "Se romperem os contratos com a TV São Paulo, a multa é alta; a frota que temos hoje dá muito prejuízo, a gráfica está praticamente toda quebrada e barbeiro é só perfumaria diante dos grandes custos da Câmara", argumentou.
Ribeiro adiantou para hoje a apresentação de um projeto de resolução para realmente diminuir as despeas. Entre outras medidas, esse projeto reduz à metade a gratificação de R$ 33 mil para cada um dos 55 gabinetes de vereadore, estabelece verba fixa para pagamento de sários para cada um dos gabinetes, acaba com mais de 40 cargos da Mesa Diretora.
Todas essas medidas resultaria numa redução de 30% a 35% em relação ao total de despesas do Legislativo. O presidente da Câmara, Armando Mellão (sem partido), que foi informado da reunião pela reportagem da Agência Estado, mas disse que todas as medidas para reduzir custos são elogiáveis, porém as propostas pareceram-lhe pouco eficazes. "O importante é continuar diminuindo o número de comissionados, como estamos fazendo", disse Mellão.
"O lanche do vereador, que existe e é farto, tem de acabar, assim como os carros também", disse Féder. Ele lembrou que serão extintos os três cargos de chefe de gabinete a que têm direito os vereadores que são os únicos representantes de seus partidos e possuem cargos na Mesa Diretora.
Féder negou tratar-se de uma medida de faz-de-conta e que tem o apoio de 30 vereadores - o quórum mínimo é de 28 parlamentares. O pacote será apresentado na sessão ordinária de amanhã, às 15h.

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