A trégua nas invasões de terras no Paraná deve durar pelo menos mais um mês. Ontem, líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) estiveram reunidos com a superintendência regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Ouvidoria Agrária Nacional. No encontro foi estabelecido um cronograma de assentamentos que deve ser concluído até o fim de setembro. Uma nova reunião vai acontecer no dia 5 de junho.
Pela proposta, imediatamente serão assentadas 130 famílias na Fazenda Rosental, em São Jerônimo da Serra. Os beneficiados foram despejados entre 1999 e 2000 por policiais militares, quando o governo estadual realizou megaoperações para cumprir ordem de reintegração de terras em diversas regiões do Paraná. Essas operações policiais atingiram 650 famílias.
‘‘Junto com as famílias despejadas, o cronograma prevê a transferência de 2,1 mil famílias em propriedades, onde há mandado de reintegração’’, afirmou o ouvidor agrário, Gercino José da Silva Filho. ‘‘Com o assentamento das 130 famílias e mais outras 100, o número de famílias despejadas se reduz para 450’’, disse o superintendente estadual do Incra, José Carlos de Araújo Vieira.
O Incra reservou na primeira etapa 12 áreas (ver abaixo). Dessas, duas (Rosental e Procopiack, em Três Barras do Oeste) já estão totalmente regularizadas. As demais devem ter suas liberações feitas no período de um mês, quando foi marcada nova reunião.
No entanto, o ponto mais importante para os sem-terra foi abertura de diálogo para a compra da Fazenda Água da Prata, no Noroeste. Nessa região foi assassinado o agricultor Sebastião da Maia. A proprietária do imóvel Ceci Pilati enviou uma carta dizendo estar interessada na venda. ‘‘Fechando essas terras, a demanda no campo vai ser atendida. E a violência, não vai acontecer porque o Incra vai ser mais competente’’, disse Araújo Vieira.

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