Cambé - O planejamento que se faz necessário para absorver o aumento populacional nas cidades de médio porte do Paraná também deve estar presente na formação e atuação das regiões metropolitanas do Estado. Mas não é o que se vê atualmente. Já são oito RMs instaladas – Curitiba, Londrina, Apucarana, Maringá, Cascavel, Toledo, Umuarama e Campo Mourão – e tramitam projetos na Assembleia Legislativa para a criação de mais sete (Ponta Grossa, Foz do Iguaçu, Guarapuava, Paranavaí, Francisco Beltrão, Pato Branco e Cianorte). O professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Alexandre Porsse, observa que as RMs só têm razão de ser se promoverem a integração socioeconômica dos municípios conurbados, com funcionalidade e gestão autônoma, o que ele afirma não ocorrer na prática no Paraná.
"Nós temos de fato três regiões metropolitanas no Estado, que são as de Curitiba, Londrina e Maringá. As demais são mais aglomerados urbanos. Tem que avaliar se existe dinâmica social integrada nessas regiões. O que observamos no Paraná é que os critérios de criação das regiões metropolitanas são muito mais políticos, não refletem necessariamente a realidade de integração socioeconômica entre os municípios", aponta. Para o prefeito de Cambé, João Pavinato, a região metropolitana passará a ser um bom instrumento de desenvolvimento quanto tiver capacidade de trabalhar o planejamento integrado de seus municípios. "Por enquanto, a Região Metropolitana de Londrina (RML) não consegue fazer isso", afirma. Cambé é um dos 25 municípios que compõem a RML. A integração do transporte coletivo é, na avaliação de Pavinato e do economista Alexandre Porsse, um dos pontos cruciais na política de atuação das regiões metropolitanas. "Vimos agora que em Curitiba a integração do transporte metropolitano está sendo um problema. É preciso haver uma articulação entre os governos municipais e o Estado para o desenvolvimento das políticas públicas", endossa Porsse.
O presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Luiz Lázaro Sorvos, diz ser favorável à instalação de novas regiões metropolitanas no Estado. "Acho interessante que se crie mais regiões metropolitanas, porque há benefícios legais e administrativos. Quando se trata da construção de habitação popular, há mais incentivo", exemplifica. (D.P.)

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