'Projetos fazem diferença na vida da gente'
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domingo, 26 de janeiro de 2014
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Londrina - A experiência de vida do educador Douglas Batista de Lima, de 22 anos, exemplifica a necessidade de investir em políticas específicas para garantir oportunidades aos jovens brasileiros. Morador de Cambé, Douglas trabalhava na confecção de cadeiras artesanais de fibra em fábricas da região, mas gostava mesmo era de dançar break e jogar capoeira. Foi a participação no Projovem que trouxe um novo rumo para a trajetória do rapaz. Após ministrar oficinas de dança como bolsista do programa, ele foi convidado para trabalhar como educador no Instituto Eurobase, onde dá aulas de capoeira.
Douglas enfrenta uma maratona diária de duas horas, que inclui transporte intermunicipal e ônibus urbano, para chegar ao trabalho no bairro União da Vitória, na zona sul de Londrina. Satisfeito com a oportunidade, planeja fazer faculdade de Educação Física sonho adiado na época em que concluiu o ensino médio pela necessidade de colaborar com o sustento da família. "Na periferia não tem muita opção. Os projetos fazem muita diferença na vida da gente", acredita.
A vontade do educador é continuar o trabalho com crianças e, quem sabe, fazer diferença na vida delas da mesma forma que aconteceu com ele. "Alguns professores foram muito importantes, principalmente porque acreditaram em mim".
Um dos possíveis beneficiados pelo Estatuto da Juventude (em vigor a partir de fevereiro), que garante meia-entrada e passagens interestaduais aos jovens de baixa renda, Douglas conta que só foi ao cinema uma vez, em uma atividade da escola, mas que tem muito interesse por filmes. Ele também está animado com a possibilidade de viajar com subsídio na passagem já que só saiu da região de Londrina apenas uma vez. Ele espera finalmente participar de eventos de capoeira e break dance por todo o País.
Bruno Alves da Silva, de 18, é bolsista no Eurobase e trabalha diariamente auxiliando os educadores que prestam serviço na instituição. Ele era aluno do Instituto e, convidado a participar de um projeto de monitoria, acabou gostando da atividade e continuou o trabalho mesmo após o encerramento do programa inicial. "Nunca me imaginei trabalhando assim, mas estou gostando muito", conta ele, que está terminando o ensino médio e pretende fazer faculdade para, um dia, integrar a Polícia Federal.
Bruno viajou para fora da região de Londrina apenas uma vez, com o próprio pessoal do Eurobase, em uma excursão para Aparecida do Norte (SP). As ladeiras do bairro União da Vitória compõem a paisagem que vê todos os dias. Quando sonha, entretanto, ele pensa em conhecer o mar, que só viu pela televisão.
Ciente da necessidade de agarrar com as duas mãos as poucas oportunidades que surgem para os jovens da periferia, ele lamenta o fato de não haver iniciativas suficientes para atender toda a população desta faixa etária. (C.A.)


