A destinação correta e consciente de doações de alimentos e cestas básicas nem sempre é uma tarefa fácil, especialmente em meio à urgência de uma pandemia que agravou a situação financeira de milhões de pessoas em poucos dias. Enquanto muitas realmente vivem em uma situação de miséria material e fome, outras acabam se aproveitando da boa vontade de quem decide ajudar para tentar até revender os alimentos e utilizar os recursos obtidos para outros fins - geralmente nada nobres, o que desencoraja em muitos casos a boa prática.

No entanto, não vem sendo assim para dois grupos de amigos de Londrina e Goioerê que desde o início de abril vêm conseguindo captar e realizar doações para quem realmente precisa.

Em Goioerê, a 260 quilômetros de Londrina, um grupo formado por integrantes da Defesa Civil e Corpo de Bombeiros, Rotary, Maçonaria e outras entidades da sociedade civil vem trabalhando em prol de quem mais precisa. Ao longo do mês, as sedes destes locais se tornaram pontos de coleta e os voluntários seguem contando com o apoio de toda a população no que comparam com uma grande “corrente do bem”, diz Viviane Rosseto Kfouri, uma das organizadoras.

Em Goioerê, uma "corrente do bem" é formada por integrantes do Rotary, Maçonaria, Igrejas, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros
Em Goioerê, uma "corrente do bem" é formada por integrantes do Rotary, Maçonaria, Igrejas, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros | Foto: Divulgação

Um dos momentos mais emocionantes para o grupo foi quando o ciclista, ex-atleta profissional e incentivador do esporte, Renato Santos, venceu o desafio de permanecer 12 horas sobre a bicicleta como forma de reunir amantes do ciclismo de estrada em torno da causa. O “pedal solidário” reuniu muitos amigos do ciclista e admiradores que atravessaram as estradas na região de Goioerê para levarem as doações. “Eu quero agradecer a todos que doaram, parabéns a todos que vieram aqui ajudar. Isso é só um pouquinho, conseguimos, 12 horas sem colocar os pés no chão”, vibrou o ciclista logo após ter cumprido a “missão”.

De acordo com o radialista Paulo Marcos, a ideia foi tão bem sucedida que durante o desafio foram arrecadadas cerca de 2,5 toneladas de alimentos. “Mas continuou chegando porque as pessoas se comoveram e estamos fazendo a triagem chegando às pessoas que mais necessitam, preferência para mães e idosos, pessoas que precisam mesmo”, contou.

Já em Londrina, o projeto coVID-A nasceu entre um grupo de amigos que já atuava em atividades filantrópicas e decidiu formatar uma ideia que envolve boa vontade e tecnologia em torno do bem comum. De acordo com um dos idealizadores, o engenheiro agrônomo e professor, Rodrigo Ferreira, desde o início do projeto, no começo deste mês, já forram arrecadadas cerca de três toneladas de alimentos. Em seguida, as doações foram preparadas em cestas básicas e encaminhadas para cerca 200 famílias. No entanto, o objetivo é chegar a 350 famílias atendidas.

“Não ficamos tão preocupados em doar tudo de um dia para o outro, mas estamos observando os impactos na vida das pessoas e sabemos que têm pessoas que precisam muito, mas vamos focar em pessoas autônomas, que nem sempre conseguem ser atendidas pelos programas do Governo Federal”, explicou.

Em Londrina, o projeto coVID-A busca atingir até 350 famílias
Em Londrina, o projeto coVID-A busca atingir até 350 famílias | Foto: Divulgação coVID-A

Para organizar o processo de cadastramento e entrega das doações, o coVID-A conta com a ajuda de uma assistente social entre os profissionais envolvidos. Já para dar mais transparência aos processos uma vez que o projeto também está aceitando doações em dinheiro em uma plataforma virtual, Ferreira e os demais organizadores contam com o apoio da Igreja Cristianismo Decidido para o recebimento dos donativos e uma auditoria na conta que vem sendo utilizada.

“Temos uma assistente social que está nos ajudando fazendo a triagem das famílias. Sabemos que existem famílias que precisam hoje e mês que vem de novo, então nosso objetivo é fazer de uma forma bem organizada. Pensamos também em criar uma conta para facilitar para quem não pode sair de casa”, explicou Ferreira.

Todas as informações sobre como ajudar podem ser encontradas em uma página no Instagram, assim como os pontos de coleta das doações. O principal endereço em Londrina é o da Igreja, que fica no número 360 da avenida José de Alencar, no Jardim Shangri-La A. “Seria muito fácil e rápido se desfazer das doações, mas não, é uma força tarefa, é um trabalho que tem começo, meio e fim”, orgulhou-se.

Serviço:

“Corrente do Bem”, em Goioerê, e coVID-A realizam destinação correta de doações de alimentos

Contatos:

(44) 9 9966-4366 (Paulo Marcos) e (43) 9 9691 9906 (Viviane)

(43) 9 9101-2017 (Rodrigo Ferreira)

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