Leandro Donatti
De Curitiba
Começou a tramitar ontem na Assembléia Legislativa do Paraná projeto de resolução que vincula a privatização da Copel (Companhia de Energia) à realização de um plebiscito. O deputado José Maria Ferreira (PSDB), o autor da proposta, sugere que a consulta popular seja feita no dia 1º de outubro, coincidindo com as eleições municipais. ‘‘Isso é muito comum nos Estados Unidos. Os paranaenses é que têm de decidir se o Estado deve ou não se desfazer da estatal’’, pregou Ferreira, durante discurso em plenário.
José Maria alegou que a entrega da Copel à iniciativa privada não resolve o problema financeiro do Estado e que é perigoso se desfazer de setores estratégicos. De acordo com o balanço de 1998, a Copel teve lucro líquido de R$ 403 milhões, 33% superior em relação a 1997. O patrimônio líquido é de R$ 4,4 bilhões. O Estado tem 5,6% das ações da empresa e 31,1% do capital total. Os demais acionistas são prefeituras, Eletrobrás e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Antes de ir a plenário, o projeto de José Maria Ferreira passa pelas comissões da Assembléia, para ser pré-analisado. O deputado do PSDB sabe da resistência governista em abrir a discussão para a população, mas mesmo assim pretende levar a proposta até o fim. ‘‘O mínimo que podemos fazer é dar condições para que a sociedade participe deste processo. O plebiscito seria uma oportunidade, principalmente porque temos pouca familiaridade com consultas populares’’, argumentou.
A proposta do tucano não empolgou os aliados que dão sustentação política ao governador Jaime Lerner (PFL) na Assembléia. O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, classificou o projeto de ‘‘pura bobagem’’. O líder do governo na Casa, Valdir Rossoni (PTB), tratou de tirar a empolgação de José Maria. ‘‘Não vejo forma legal para que isso aconteça. Os procuradores do povo (deputados estaduais e governo) já tomaram uma decisão (de vender a Copel). E isso não tem volta’’, ponderou o líder do governo ontem.
Gionédis engrossou o discurso oficial afirmando que a privatização da Copel é inevitável e está programada para ocorrer em 2001. ‘‘Tem até uma comissão cuidando dos detalhes de tudo isso’’, disse o secretário numa referência à Comissão de Desestatização da Copel, presidida pelo ex-ministro Karlos Rischbieter.

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