Projeto reformula renda mínima
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de abril de 1999
Agência Folha 
A Prefeitura de Campinas prepara uma reformulação do Programa de Renda Mínima, considerado pioneiro no País. Um projeto de lei que prevê a interligação do Renda Mínima com outros programas sociais de combate ao desemprego deve ser apresentado à Câmara em 20 dias.
A proposta, formulada pela Secretaria da Assistência Social de Campinas, é incluir a maioria das famílias em ações, como o Prorendas (Programa de Incentivo ao Aumento da Renda Familiar), em cursos de alfabetização e de profissionalização para adultos. Atualmente, o Prorendas atende a cerca de 60 dos 2.603 beneficiados pelo Renda Mínima, segundo o secretário.
O Prorendas é uma linha de crédito orientada para a formação de pequenas empresas, mantida pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, que atende 618 campineiros, 57% deles do sexo feminino.
O Prorendas repassa, por ano, cerca de R$ 1,5 milhão para o município de Campinas. A chefe da Diretoria da Assistência Pública Social da prefeitura de Campinas, Lilia Maria Abdo, disse que já foi repassado cerca de R$ 1 milhão, para atender a 618 pessoas, de um total de aproximadamente 20 mil que procuraram o programa.
O repasse aos beneficiários é feito após a seleção de projetos de investimentos para moradores de mais de dois anos no município. Os beneficiados têm até seis meses de carência e pagam 0,5% de juros pelo empréstimo. A inadimplência em Campinas atualmente é de 20%, segundo Lilia.
O plano da secretaria é incluir mais 400 famílias no Renda Mínima até o final do ano. Ainda não há, entretanto, previsão de aumento da verba. Pelo menos outras cinco mil famílias que vivem em condições de miséria na cidade permanecem excluídas do programa. A prefeitura não tem planos de atender a todas as famílias.
O município já assume uma porção razoável do atendimento, afirmou o secretário da Assistência Social de Campinas, Arly de Lara Romêo. O governo federal criou um programa que não é inteligente, pois só atende a pequenas cidades, e não municípios do porte de Campinas, que têm bolsões de miséria, disse Romêo.
Segundo o secretário, a meta é aumentar o número de famílias atendidas para um total de três mil até o final do ano. Segundo o secretário, embora destine uma média de R$ 300 mil por mês para as famílias atendidas, o Renda Mínima consome cerca de R$ 500 mil mensais dos cofres municipais.
Os principais gastos são com pessoal especializado. As famílias atendidas são monitoradas por 26 técnicos (13 assistentes sociais e 13 psicólogos, que atuam em duplas), seis assistentes administrativos e contam com o apoio do SAF (Serviço de Atendimento à Família), além do uso constante de seis veículos.
Para melhorar o acompanhamento ao programa, a secretaria está tentando firmar convênios com as universidades de Campinas para atrair estagiários. O Renda Mínima exige uma linha de atenção máxima, pois tem que ser um programa preventivo, que melhore os indicadores sociais de Campinas, afirmou Romêo.
A lei que cria o programa é de 1995 e precisa sofrer outras mudanças, segundo Romêo. Atualmente, para entrar no programa, a família precisa morar em Campinas há seis anos, ou há dois anos da sanção da lei de 95. Por causa disso, a cada ano, o prazo de moradia na cidade aumenta. Defendo que o limite seja de três, no máximo quatro anos, afirmou. A vigência do benefício, de um ano atualmente (prorrogável por mais um), deve passar para três anos.


