A parceria entre o Estado através da Polícia Militar e a prefeitura, com a Fundação de Desenvolvimento Social, está mudando a situação dos menores de risco de Maringá. O projeto Formando Cidadão, implantado há 4 anos na cidade, foi o primeiro do interior e agora inicia uma nova fase com a profissionalização dos menores. ‘‘Conseguimos um avanço significativo na mudança de comportamento dos meninos, e agora queremos abrir o mercado de trabalho para eles’’, diz o major Nelson João Casaroli, comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar de Maringá.
No início, foram classificados 25 menores de 40 encaminhados pela Fundação e pelo Conselho Tutelar. ‘‘Mesmo os que não se adaptaram e deixaram o projeto acabaram retornando’’, revela o primeiro-tenente Kleber Mardegan, coordenador do Formando Cidadão no 4º BPM. Apesar do objetivo é atender a faixa etária de 7 a 17 anos, a maior parte dos menores que passam pelo programa em Maringá tem entre 12 e 14 anos. O projeto, explica Mardegan, tem três fases. A primeira é a ressocialização, tirando os meninos da rua. Em seguida, os menores são reconduzidos à escola e por fim encaminhados ao trabalho. Apesar da última fase ser o objetivo final do projeto, faltava qualificar os menores. ‘‘Agora estamos oferecendo curso de mecânico e firmando acordos para formar a garotada’’, revela o major Casaroli. ‘‘As outras fases conseguimos cumprir’’, completa o tenente Mardegan. Ele diz que todos os menores que passaram pelo projeto retomaram os estudos. ‘‘Com aproveitamento acima de 90%, o que é um índice ótimo’’, garante.
Cursos de capacitação profissional: dentro do próprio quartel eles aprendem mecânica básicaO trabalho do projeto tem influenciado até as comunidades onde os menores estão inseridos. Em algumas escolas, onde existem menores do Formando Cidadão, o índice de marginalidade caiu. Segundo o tenente Mardegan, como o policial acaba fazendo o papel da família, acompanhando o desempenho do aluno, a presença de viaturas na escola inibe a ação de marginais e desocupados. Outro fato importante é a mudança de postura do policial e do menor com a situação de cada um. ‘‘Quando a gente vê a realidade da maior parte dos menores que chegam aqui acredita que só um milagre pode mudar o comportamento deles’’, conta.
Os militares acreditam que a disciplina, que faltava por parte da família e da própria sociedade através da escola, muda a visão dos menores. A rotina dos meninos é ‘‘puxada’’, diz o major Casaroli. Os menores chegam de manhã e fazem a limpeza do local onde funciona o projeto, participam de ordem unida e educação física para coordenação motora, conversam com a psicóloga e têm aulas de reforço, informática e a partir de agora cursos profissionalizantes. ‘‘Eles ajudam também em tarefas normais do quartel, como limpar o pátio, fazer o jardim e cumprir a rotina’’, conta o comandante.
Os cursos de capacitação profissional, acredita o major Casaroli, vai abrir as portas para os menores. Dentro do próprio quartel eles aprendem mecânica básica. A Universidade do Varejo, inaugurada pela Associação dos Supermercados (Apras), vai formar empacotadores e repositores para supermercados. ‘‘O bom é que as empresas vão formar e empregar os alunos do curso’’, comemora Casaroli. O trabalho da PM com os menores tem um apoio estratégico da Fundação de Desenvolvimento Social. O órgão da prefeitura fornece a alimentação, psicólogo e um monitor que trabalham diretamente com os alunos.
A psicóloga Maria Eloisa Ferreira Passeri, que antes de trabalhar no Formando Cidadão ficava na ERA, uma escola de recuperação de adolescentes infratores, comemora os resultados. Ela conta que a disciplina rígida do quartel muda o comportamento dos meninos. ‘‘São todos menores de risco, que não respeitam os pais e deixam de ir à escola, e se nada for feito, se transformam em infratores, que é muito mais difícil de recuperar’’, afirma Maria Eloisa. Alguns param de frequentar a escola porque se sentem ‘‘deslocados’’, e com a mudança de mentalidade passam a respeitar as normas da sociedade.

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