Campinas, SP- Um projeto inédito de reaproveitamento de lixo reciclável transforma embalagens longa-vida em mantas térmicas capazes de reduzir o aquecimento de locais abafados e com pouca ventilação em até 8º C.
Desenvolvido pela Faculdade de Engenharia Civil e Mecânica da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), o projeto deve ser testado em alguns institutos do campus em caráter experimental. Após os testes, a idéia é atacar o mercado com o produto.
O projeto da universidade tem como parceiras duas cooperativas de reciclagem de lixo: a CooperBarão, de Barão Geraldo, e a Cooperativa Bom Sucesso, da Vila Aparecidinha, que desde a última segunda vem confeccionando as mantas térmicas.
A intenção do projeto é agregar valor ao material reciclável tratado nas cooperativas para elevar a renda das famílias que sobrevivem a partir da coleta seletiva.
Para a cooperada Ozelita Ana Santos, 35, a produção das mantas é uma oportunidade boa. ''Acreditamos muito nesse produto que começamos a fazer para melhorar nossas vidas'', disse.
Segundo Mário Nunes, 34, um dos coordenadores do projeto, agregando valor ao material reciclável com a confecção de um produto competitivo no mercado, será possível aumentar em até 300% o preço do quilo de embalagens longa-vida.
''Para se ter uma idéia um quilo de caixinhas de leite está sendo vendido a R$ 0,10. Com o produto final pronto, o metro quadrado da manta térmica poderá ser vendida a R$ 3,70'', disse Nunes.
Todo o projeto surgiu de uma pesquisa sobre a utilização de mantas para subcoberturas. A pesquisa avalia o uso do alumínio presente nas embalagens longa-vida, e pós-uso, como refletor de calor, com o objetivo de aumentar o conforto térmico.
As mantas de alumínio das caixinhas, depois de fixas nos forros das edificações, refletem 95% do calor que chega com a radiação.

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