Curitiba - Proibir a venda e esterilizar os cachorros da raça pitbull no Paraná. E, além de castrar, quem já tem um pitbull teria que pedir uma licença à Polícia Militar (PM) para mantê-lo sob pena de multa. Estes são alguns dos intuitos de um projeto de lei apresentado na Assembléia Legislativa pelo deputado Jocelito Canto (PTB).
A justificativa do projeto, segundo o deputado, é que existem muitos ataques desta raça a pessoas e que quando o acidente acontece é muito difícil conter o cachorro. O projeto também prevê a regulamentação da permanência de cães ferozes de qualquer raça em locais públicos onde há concentração de pessoas, mesmo com guia e focinheira.
No dia 29 de setembro, um menino de dois anos morreu em Ponta Grossa depois de ser mordido por um cachorro da raça pitbull na casa de seus avós. Guilherme Vieira estava brincando no quintal com seu irmão de seis anos, quando aconteceu o ataque.
''O problema não é a raça em si, mas o manejo do cachorro. Tem muitos criadores que querem o animal para guarda ou até para rinhas e criam eles agressivos. Normalmente eles só não gostam de outros animais'', explica a médica veterinária Maria Consuelo Mayer Ribas, que é contra o projeto.
Ela explica também que a índole violenta do pitbull pode ser genética. Isto é, se os pais são bravos há grandes chances de um filhote também crescer violento. ''E se eles tiverem motivo, como ter seu território invadido, ou ver seu dono sofrendo agressão, atacam. Mas o rottweiller faz a mesma coisa'', afirma. Uma das razões para o fato de os ataques de pitbull serem fatais ou machucar seriamente, afirma a veterinária, é porque eles têm muita massa muscular e uma mandíbula muito forte.
O criador da raça, Ézio Hegner, reafirma que se o pitbull tiver motivo ataca mesmo e morde para valer. ''O problema é que ele depois de nervoso demora para destravar a mandíbula'', explica. Porém, ressalta que a índole violenta, na maioria dos casos, é por causa da criação. Hegner defende que as pessoas têm que passear com pitbull sim, desde pequenos, e acostumá-los com o convívio social.
''Se for bem criado e sem motivo ele não ataca. Existem muitos pitbulls dóceis. O problema não é a raça'', afirma. O mesmo diz a presidente da Organização Não-Governamental SOS Bicho, Rosana Vicente Gnipper. ''A gente está vendo hoje o processo invertido. O problema é o ser humano atrás do cachorro. A lei deveria proibir rinhas, controlar os donos'', argumenta.
Na Assembléia Lesgilativa do Rio Grande do Sul também tramita um projeto semelhante ao paranaense. O projeto, que já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), estabelece o controle dos animais através de registro e cadastro, assim como regras para os passeios públicos e prevê que os cães das raças pitbull, fila, rottweiller, bull terrier, dogo argentino e raças afins não poderão ser criados ou comercializados no Rio Grande do Sul, não se aplicando a lei aos criadores registrados na Confederação Brasileira de Cinofilia.

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