Projeto propõe medidas para garantir segurança
O professor e pesquisador do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE), Alex Bager, trabalha na busca de políticas públicas para que sejam feitas ações em grande escala. "O Brasil tem 1,7 milhão de estradas, 200 mil quilômetros de estradas asfaltadas. Nunca vamos conseguir reduzir esse impacto de verdade com ações em pequena escala e, para trabalhar em grande escala, temos que conseguir que as mesmas ações sejam adotadas no País inteiro."
Em março passado, a Câmara dos Deputados aprovou requerimento para que o projeto de lei 466/2015, que pretende reduzir os atropelamentos da fauna silvestre no País, tramitasse em regime de urgência. De autoria do deputado federal Ricardo Izar (PP-SP), presidente da Frente Parlamentar de Defesa dos Animais, a matéria está em plenário há quatro meses, mas até hoje não foi votada.
O projeto tem como finalidade a adoção de medidas que permitam a circulação dos animais silvestres nas estradas e ferrovias do País com segurança e garantir também a segurança de motoristas. A matéria prevê a instalação de redutores de velocidade e refletores, além da construção de túneis e passarelas para passagem de fauna, pontes e cercas.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)desenvolveu 19 planos de ação para conservação da fauna, que contemplam cerca de 35 espécies ameaçadas no Brasil. Todos os planos, destacou Bager, confirmam a necessidade de estudos e ações para reduzir a mortalidade de animais silvestres por atropelamento.
RESERVA DAS PEROBAS
Antes mesmo da existência da lei, um bom exemplo vem do Noroeste do Paraná, no trecho da BR-487 que corta a Reserva Biológica das Perobas. A reserva foi criada em 2006 e, em 2010, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) fez o pedido de licença para pavimentar a rodovia, conhecida como Estrada Boiadeira. A obra foi autorizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que administra a unidade de conservação ambiental.
No início de julho, a reserva biológica instalou oito placas de sinalização educativa não só alertando para o risco de atropelamentos da fauna silvestre, mas também sobre cargas perigosas. Também foram construídos quatro túneis para passagem dos animais e alambrados foram instalados para orientá-los e protegê-los. A unidade também conta com equipamentos que refletem a luz emitida pelos faróis dos veículos e em um trecho de nove quilômetros da rodovia a velocidade dos veículos será controlada por radares que devem ser instalados em agosto. "De agosto a outubro, o movimento de animais na rodovia aumenta e muitos estavam sendo atropelados. Com o avanço das obras, os acidentes já tiveram redução. A gente perde muitos animais que já têm uma população pequena, como onça, anta e veados-mateiro", afirmou o chefe da Reserva Biológica das Perobas e analista ambiental do ICMBio, Antonio Guilherme Cândido da Silva. "A gente tenta adaptar as rodovias, mas o que impede mesmo os acidentes é o limite de velocidade." (S.S.)





