Projeto prevê restauração de caminho na Serra do Mar
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de novembro de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O Caminho de Itupava, na Serra do Mar, deve ser restaurado até o início de 2006. O projeto faz parte do programa Pró-Atlântica, da Secretaria de Estado Meio Ambiente, e vai ser financiada pela inciativa privada. A intenção é recuperar e democratizar o percurso usado atualmente por esportistas e poucos turistas, já que o acesso é díficil. As licitações para as obras foram abertas no dia 10, mas ainda não há previsão de quando sai o resultado da empresa ganhadora. As obras devem custar R$ 624 mil.
Segundo o coordenador geral do programa Pró-Atlântica, Paulo de Tarso de Lara Pires, as pedras antigas que constituem os 22 quilômetros do Caminho estão desgastadas, falta policiamento, sinalização, pontes e passarelas e maior controle da quantidade de pessoas que anda pelo local.
Após concluídas as obras, as duas principais entradas para o Caminho que ficam em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba, e em Morretes, no litoral do Estado terão um centro de visitantes, onde será controlada a entrada de turistas.
O projeto de recuperação do Caminho de Itupava está sendo financiado pelo banco alemão KFW. Em contrapartida o governo do Estado vai disponibilizar pessoal, fazer a manutenção e a sinalização do local.
Pires garantiu que o fato de um número maior de turistas poder percorrer o local, após a reforma, não vai prejudicar o meio ambiente. O coordenador do projeto afirmou que os policiais florestais vão circular pelos 22 quilômetros para coibir eventuais danos ambientais.
O Caminho de Itupava foi construído originalmente como uma trilha indígena e no início do século XVII começou a ser percorrido pelos portugueses. Na época, o trecho tornou-se uma das mais importantes vias de acesso do Paraná, já que era o único percurso que ligava o litoral à planície. O calçamento veio no século XIX.
O Caminho de Itupava passou a ser menos usado após a construção da Estrada da Graciosa, em 1873, e da ferrovia que liga Curitiba e Paranaguá, em 1885. O local é considerado pela Unesco como Reserva da Biosfera, composta principalmente por mata atlântica. Também faz parte da área de tombamento da Serra do Mar e está cadastrada junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como Patrimônio Arqueológico.


