Projeto prevê recuperação de prostitutas
Marcos Zanatta
De Maringá
Um projeto para retirar as adolescentes em situação de risco das ruas de Maringá, de autoria do vereador Ulisses Maia (PPS) e que tramita nas comissão da Câmara, divide opiniões entre as prostitutas da cidade. As menores que trabalham nas ruas não falam, alegando que não têm idade ou que não estão em pontos de prostituição em busca de programas. As que assumem a condição, no entanto, elogiam a iniciativa, mas não acreditam em resultados.
O projeto de Maia cobra a instituição do Programa Pró-Meninas, que prevê a montagem de um centro de convivência onde as adolescentes serão atendidas em todos os aspectos. A idéia é valorizar as menores, garantindo atenção médica, psicológica e oferecer cursos profissionalizantes em áreas como informática, artesanato, idiomas, moda e decoração. Se não trabalharmos as adolescentes fatalmente elas vão se tornar prostitutas, argumenta Maia.
Ele explica que o projeto não tem como objetivo acabar com a prostituição, mas dar oportunidade para as menores que se encontram em situação de risco a não verem a rua como única opção. Já conversei com meninas que falam abertamente da vontade de buscar dinheiro na prostituição porque não encontram oportunidades de trabalho. Maia não descarta a possibilidade do projeto, depois de implantado, ser ampliado para atender também as mulheres que já se prostituem.
Quem entra nessa vida não consegue mais sair, é como o vício de alguma droga, disse Rose, 34 anos, uma filha de 14 e renda que tem que chegar a R$ 412,00, por mês. Ela diz que é locutora de rádio e caixa de supermercado, faz curso de auxiliar de enfermagem de noite, e não vê outra alternativa a não ser a prostituição.
Até existe oportunidade de trabalho, mas para ganhar R$ 200,00 por mês, o que não interessa pra gente. Rose concorda que é necessário um trabalho para evitar que as adolescentes entrem na prostituição. Mas todo mundo quer ter oportunidade e não ficar fazendo artesanato para ganhar mixaria, afirma. O certo, para ela, são os pais terem condições de criar os filhos com dignidade. Os políticos querem aparecer e criam esses programas. Porque não doam os salários altos que ganham?, indaga.
Bruna, 30 anos, separada, dois filhos menores e renda de R$ 100,00 a R$ 200,00 por mês, aprova o programa de assistência às menores, e diz que se pudesse frequentaria o centro de convivência. Queria mudar de vida porque meu filho de 7 anos já começa a entender as coisas, e não queria que ele soubesse onde eu ganho dinheiro.
Maria, 27 anos, solteira e moradora em Campo Mourão, diz que pelo menos três vezes por semana está em Maringá para fazer programas. A maior preocupação dela é encontrar algum conhecido, o que nunca aconteceu, segundo ela. Maria já foi industriária e doméstica, mas agora não encontra mais emprego nem para trabalhar por dia.
Gostaria de aprender alguma atividade. Se o programa atender as meninas de fora eu topo entrar, diz. Maria não quis falar quanto consegue ganhar por mês, mas diz que é bem mais que qualquer emprego por onde já passou. Todas as entrevistadas dizem que cobram R$ 30,00 por um programa de uma hora.Adolescentes e mulheres que fazem programas aprovam criação de centro de convivência, mas não acreditam em resultados
Marcos NegriniTROTTOIRAs prostitutas que fazem ponto na Praça Raposo Tavares não admitem que fazem programas; as que estão há mais tempo na prostituição têm opiniões diferentes sobre o projeto





