Projeto prevê acesso de idoso à universidade
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terça-feira, 11 de outubro de 2005
Roberta Pennafort<br>Agência Estado 
Rio - A Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) deve votar na próxima semana um projeto de lei controverso, que visa garantir a pessoas com mais de 60 anos o ingresso automático, ou seja, sem vestibular, nas universidades estaduais. A Universidade do Estado de Rio de Janeiro (Uerj) e a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) já reservam 45% de suas vagas para negros, alunos de escolas públicas, deficientes físicos e minorias étnicas.
O autor do projeto é o deputado estadual Coronel Jairo, líder do PSC na Alerj. Ele nega que se trate de cotas para idosos. O texto é sucinto. Diz apenas o ingresso se dará ''independentemente de prestação de exame vestibular'' e que ''caberá ao Poder Executivo, através de seu órgão competente, editar os atos necessários e complementares à aplicação da lei''.
Raquel Villardi, subreitora de Graduação da Uerj, afirma que a proposta é inexequível. Ela fez um cálculo baseado no número de idosos da capital fluminense que não têm curso superior, 70 mil, e concluiu que seriam necessários 14 anos, na melhor das hipóteses, para atender a toda a demanda. Por esta previsão, nenhum jovem poderia ser admitido, pois as cinco mil vagas oferecidas por ano pela Uerj estariam ocupadas.
''Temos uma capacidade limitada de atendimento. As pessoas falam da universidade, mas não sabem do que estão falando'', diz Raquel Villardi. ''Antes de qualquer coisa, é preciso ter bom senso. Se o ingresso é automático, qual é o critério para admissão? Entra quem chegar primeiro?'' O projeto, segundo ela, é incompatível com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação.


