Projeto pode mudar percurso das Cataratas do Iguaçu
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sexta-feira, 28 de novembro de 2003
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A empresa Electricidad de Misiones (Emsa), que tem como principal acionista o governo de uma província do nordeste argentino, quer construir um aqueduto de 40 quilômetros para desviar água do Rio Iguaçu até a Represa do Uruguai. A intenção é satisfazer as necessidades energéticas da região. O aqueduto, de sete metros de diâmetro, teria um muro para conter a água quando o Rio Iguaçu estivesse em nível baixo. De acordo com o projeto, isso evitaria um declínio do volume do rio que separa o Brasil e a Argentina.
O engenheiro Gerardo Shwarz, gerente do projeto da Emsa, não acredita que o aqueduto possa alterar o equilíbrio ecológico da região. Ele afirmou que existem 26 espécies de peixes no lago Uruguai que também fazem parte da fauna do Rio Iguaçu. Isso indicaria que as espécies existentes nos dois locais são similares e não teriam qualquer tipo de prejuízo com a execução do projeto, avaliado em US$ 100 milhões.
De acordo com o professor Diego Baldo, licenciado em Genética da Universidad Nacional de Misiones, o aqueduto diminuiria a vazão do Rio Iguaçu em 7%. Em entrevista a um jornal argentino, ele disse que o impacto ambiental desse tipo de projeto poderia ser desastroso. O Parque Nacional do Iguaçu, onde estão as Cataratas do Iguaçu, foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1984. Ele inclui uma floresta nativa de 2 mil espécies vegetais e animais em perigo de extinção, como o tucano e a onça.
O ambientalista Romildo Pimentel disse ontem que a redução da vazão de água pode significar perda da biodiversidade do Parque Nacional do Iguaçu. De acordo com ele, numa faixa que fica 10 quilômetros acima das Cataratas do Iguaçu, o Rio Iguaçu se alarga e tem pouca profundidade (cerca de 20 centímetros). Essas áreas poderiam desaparecer. ''Isso significaria perda da flora local, onde existem plantas aquáticas que podem sofrer influencia direta desse tipo de projeto'', considerou.
O projeto ainda está em fase de estudo. Ele está sendo apresentado para as autoridades da região. A preocupação é com relação aos impactos ambientais que o desvio do Rio Iguaçu poderia gerar. Depois da aprovação do governo argentino, o projeto ainda terá que ser aprovado pelas autoridades brasileiras.
Ontem, a assessoria de imprensa da Itaipu Binacional do lado brasileiro informou que o projeto é conhecido pela diretoria brasileira. No entanto, a Itaipu considera a execução do aqueduto inviável.


