O Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bid) poderá suspender e até mesmo cancelar as negociações em torno de um empréstimo de US$ 400 milhões destinados à execução do Projeto Pantanal. A informação é do advogado do Sindicato Rural de Corumbá, Evandro Ferreira de Viana, acrescida de que o motivo dessas possibilidades é a impetração de uma ação civil pública objetivando a declaração judicial da responsabilidade da União e do Mato Grosso do Sul, pelos danos ecológicos ocorridos na Bacia Hidrográfica do Rio Taquari, e outra cautelar pedindo a suspensão do projeto.
Ele explicou que na quarta-feira passada entregou pessoalmente ao representante do BID no Brasil, Carlo Melo, a notificação sobre a decisão do Sindicato e ouviu do representante comentário de que as ações judiciais podem complicar ou mesmo resultar em cancelamento das negociações sobre o Projeto Pantanal. O secretário estadual de Meio Ambiente, Atanásio de Oliveira, não acredita nesses acontecimentos, lembrando que os fazendeiros que movem as ações desconhecem que o Rio Taquari está contemplado no projeto, porém ainda não se sabe o que deve ser feito para corrigir o programa ambiental da região, pois para tanto é necessário o estudo de impacto ambiental.
Com o avanço descontrolado das fronteiras agrícolas no estado, enxurradas e ventos levaram para dentro do leito Taquari toneladas de areia que obstruíram o rio entre os municípios de Corumbá e Coxim. Em um processo de obstrução que dura quinze anos, nos últimos oito anos as águas foram saltando da caixa do rio e invadindo as fazendas. Atualmente, 11 mil quilômetros quadrados da localidade conhecida por Paiaguás estão com inundação permanente, quebrando o ciclo das cheias pantaneiras e alterando completamente o ecossistema. Um total de 72 fazendas estão inundadas, muitas famílias tiveram de abandonar propriedades rurais e pelo menos 80 delas estão na miséria morando em favelas ou em acampamentos de sem-terra.

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