Um projeto da clínica de nutrição da Unifil está avaliando portadores de síndrome de Down e de paralisia cerebral em Londrina. O objetivo é descobrir quem precisa de um acompanhamento nutricional mais específico. Isto porque quem tem síndrome de Down tem tendência à obesidade, e quem tem paralisia cerebral, tendência à desnutrição.
Segundo a nutricionista Maria Cristina Corrêa, professora da Unifil especialista em nutrição clínica, essas tendências estão relacionadas a fatores físicos, mas também ambientais.
Quem tem síndrome de Down, explica a nutricionista, tem um acúmulo maior de tecido adiposo em relação a quem não tem a síndrome, é mais hipotônico e também costuma ter hiperfagia, que é o descontrole da fome. Além disso, os portadores da síndrome também tem uma curva específica de crescimento, e a maioria tende a ser mais baixa que o restante da população. Todos esses fatores já predispõem o indivíduo à obesidade. Some-se a isso a cultura dos fast-food, dos industrializados, e de toda uma praticidade que leva à falta de atividade física, que o problema fica mais grave.
A orientação nutricional para quem tem síndrome de down, ressalta a professora, se torna ainda mais importante por conta de outra estatística - 40% têm tendência a desenvolver cardiopatias. ''O acompanhamento nutricional pode evitar ou diminuir as consequências da obesidade, como pressão alta, colesterol alterado, e as cardiopatias'', alerta.
Já a paralisia cerebral, explica, é causada pela falta de oxigenação das células cerebrais, o que pode acontecer na hora do parto, por infecções ou traumas, e causar no indivíduo, dependendo da região atingida no cérebro, deficiência motora grave, dificuldade na fala, ou mesmo deficiência mental.
Nestes pacientes, os casos também podem ser de obesidade, por causa da dificuldade de locomoção, mas principalmente de desnutrição, pela dificuldade de mastigação e deglutição. ''Como os pais tem medo que o filho engasgue, por causa da dificuldade de deglutição, a alimentação acaba ficando extremamente pobre. Alguns, como são muito inteligentes, 'jogam' com os pais e acabam comendo só o que querem'', avalia, explicando que com uma orientação nutricional é possível enriquecer mingaus, sopas e vitaminas com gelatina e leite em pó, por exemplo.
Nos últimos dois anos, um projeto-piloto avaliou alunos do Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece) e descobriu que pelo menos 30% estavam obesos. Estes foram orientados a procurar a clínica para uma avaliação mais completa, e para que pais e jovens recebessem orientações específicas. A nutricionista conta que em um período de um ano, um grupo de cinco jovens com síndrome de Down emagreceu no total 40 quilos. Agora outras entidades, como a Apae e a APS-Down estão passando por avaliação.
Outra doença que pede orientação nutricional rigososa desde a infância, ressalta a nutricionista Maria Cristina Corrêa, é a fenilcetonuria, diagnosticada pelo teste do pezinho.
Quem tem a doença, de origem genética, não tem uma enzima responsável pelo metabolismo do aminoácido fenilalanina. E a substância, sem ser metabolizada, pode se acumular no sangue e lesionar principalmente as células nervosas, podendo causar deficiência mental.


Serviço:

- Clínica de Nutrição da Unifil fone (43) 3338-3488

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