O sonho da casa própria tem se tornado um pesadelo para londrinenses que estão apostando no sucesso do programa Poupalar, que faz parte do Projeto Renascer da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld). Ainda não existe nenhuma evidência concreta de que o projeto tenha problemas que possam inviabilizá-lo. Mas o que tem provocado temor entre os mutuários são as acusações por parte do Sinduscon Norte do Paraná (sindicato da construção) e outras onze entidades que questionam, entre outro fatores, a viabilidade econômica do Poupalar.
As dúvidas ganharam maior dimensão com o afastamento do prefeito Antonio Belinati (PFL) e com a troca no comando da Cohab-Ld, com a saída do presidente Assad Jannani, que deixou o posto para participar da disputa eleitoral deste ano. Em seu lugar, assumiu o diretor-executivo da Cohab, Agnaldo José da Rosa. Segundo Rosa, esta mudança não altera em nada a continuidade do projeto. ‘‘A Cohab é do Município, mas é uma empresa que tem autonomia administrativa e financeira para dar continuidade ao programa’’, afirmou.
Segundo o representante do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon-Ld), Nelson Sanches Navas, um documento enviado à Promotoria de Defesa do Consumidor questiona se os valores que estão sendo depositados pelos mutuários são suficientes para que as obras sejam concluídas e entregues a todos os participantes do projeto. ‘‘Se a média de depósito mensal é de R$ 43,00, com descontos de R$ 6,50 do seguro obrigatório e R$ 1,50 de taxas bancárias, ao final de 40 meses o valor arrecadado é menor do que R$ 1,5 mil, o que não dá para comprar nada’’, afirma Navas. Segundo o Sinduscon, este valor representaria apenas 10% do valor de um imóvel padrão, com dois quartos, o que exigiria complementação de recursos.
Outro ponto do programa que está sendo questionado se refere ao fato de o Poupalar estar registrado no nome do ex-presidente da Cohab-Ld, Assad Jannani. ‘‘Isso precisa ser esclarecido’’, diz Navas. O pedido de investigação também inclui informações sobre o porque de a logomarca da Caixa Econômica Federal (Caixa) estar vinculada ao material de divulgação do Poupalar. ‘‘Isso pode ter passado aos mutuários a idéia de que a Caixa estaria garantindo o financiamento dos imóveis’’, comentou.
A cobrança do seguro do mutuário antes mesmo de ele receber a casa também é questionada no pedido de investigação feito à Promotoria de Defesa do Consumidor. Navas observa ainda a existência de um projeto que tramita na Câmara de Vereadores de Londrina e que cria o Fundo de Suplementação de Renda para o programa Poupalar. ‘‘Por que um fundo de compensação? A prefeitura terá de bancar isso?’’, questiona.
Navas observa ainda que todos estes questionamentos não têm como objetivo ‘‘detonar’’ o projeto, mas sim garantir informações que dêem segurança para todos que se inscreveram. ‘‘A maioria dos inscritos no programa é a população de baixa renda que tem o sonho da casa própria, não são grandes investidores’’, comenta.
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