''Projeto genoma'' vai estudar clima brasileiro
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domingo, 07 de abril de 2002
Claudio Angelo Agência Folha 
Cerca de 30 cientistas de várias instituições estão preparando aquilo que pode ser considerado o projeto genoma do clima brasileiro. Durante quatro anos, eles avaliarão os efeitos do aquecimento global sobre os ecossistemas do país até o fim do século.
O projeto, que tem custo estimado em cerca de US$ 2 milhões, tentará projetar como as mudanças climáticas globais estão alterando e irão alterar hábitats como a Amazônia, o cerrado e a mata atlântica, o regime de chuvas e a distribuição das espécies.
Trata-se do primeiro estudo climático em larga escala a integrar todos os principais biomas (conjuntos de ecossistemas) do Brasil. Um dos objetivos, afirmam os seus coordenadores, é produzir dados para tomada de decisão pública em áreas como conservação de espécies, agricultura e energia. Outro é capacitar pesquisadores brasileiros - como fizeram os projetos genoma nos últimos anos- para desenvolver modelos climáticos, uma habilidade necessária num planeta que está cada vez mais quente.
Hoje nós dependemos de modelos de fora para esse tipo de análise, disse o ecólogo Enéas Salati, diretor técnico da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável e um dos coordenadores do projeto.
Segundo Salati, um dos resultados esperados será um atlas do clima e das chuvas no Brasil, que leve em conta variações provocadas pelo aquecimento geral da atmosfera. Isso poderia ser útil para a Agência Nacional das Águas e para o Ministério da Agricultura.
Ninguém consegue prever o regime de chuvas no país, afirmou o climatologista Carlos Nobre, do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), outro coordenador do estudo.
Não se sabe, por exemplo, em que lugares do país o aumento das temperaturas médias está elevando as precipitações (por causa da maior evaporação) e onde está deixando o clima mais seco.
O projeto vai usar dados do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática) para reconstituir o clima brasileiro desde 1870. A data é considerada um marco nos modelos climáticos por ser o início da Revolução Industrial. Foi a partir daquela época que a interferência humana no clima global passou a ser detectável, com o aumento das descargas de gases-estufa (especialmente o gás carbônico) na atmosfera devido à queima de combustíveis fósseis, como o carvão.


