Projeto estuda método para avaliar áreas contaminadas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de dezembro de 2002
Silvana Guaiume<br> Agência Estado 
Campinas - A contaminação por solventes no condomínio Mansões de Santo Antônio, em Campinas, será utilizada como uma das bases de um projeto piloto que pretende definir a metodologia de avaliação de risco à saúde pública a partir da exposição à contaminação. As pesquisas para a elaboração do projeto piloto incluem ainda outras quatros áreas contaminadas no País, em Mauá (SP), Bauru (SP), Brasília (DF) e Santo Amaro da Purificação (BA).
Os estudos tiveram início este ano e a previsão é de que o projeto-piloto esteja concluído em 15 meses, conforme o diretor da Vigilância Ambiental em Saúde da Funasa, o médico Guilherme Franco Neto. O objetivo é criar protocolos de acompanhamento de grupos de risco que possam pautar uma conduta básica na rede pública de saúde.
Segundo Franco Neto, foram escolhidas para participar do projeto-piloto cidades que já tem informações sobre os respectivos problemas. Ele explicou que a Vigilância Ambiental está utilizando metodologias aplicadas em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, e adaptando-as a partir das informações colhidas nas cinco cidades brasileiras em avaliação.
De acordo com o médico, a estimativa da Vigilância é de que haja entre 4 e 6 mil áreas contaminadas no Brasil, nas quais vivem de 5 a 6 milhões de pessoas, cerca de mil em cada região. O maior problema de contaminação é provocado por vazamento em postos de combustíveis, comentou Franco Neto.
Há ainda casos de contaminação por metais pesados, agrotóxicos e extração mineral. De acordo com o médico, será feito um balanço dos erros e acertos dos métodos utilizados nas cinco cidades do projeto-piloto para criar um padrão de atendimento aos moradores.
Franco Neto comentou que há duas grandes dificuldades no projeto. A primeira é a receptividade da população exposta, que manifesta ''pânico'' de perder o local onde mora. ''Isso faz com que prefiram se expor a doenças que deixar a área onde vivem'', alegou. Outra dificuldade é que esse tipo de estudo demanda ''um volume de dados muito grande e não há recursos no Brasil para isso''.
Em Campinas, 43 famílias moram em um prédio de apartamentos construído sobre o terreno contaminado por solventes, mas não estão diretamente expostos à contaminação. Outros três prédios do condomínio Mansões de Santo Antônio tiveram as obras embargadas.
A Secretaria Municipal de Saúde estima o grupo de risco em mil moradores e 400 trabalhadores da construtora do condomínio e de uma garagem de ônibus que utilizou água contaminada para lavar os veículos. Uma amostragem de 23 moradores está sendo submetida a exames laboratoriais e análises clínicas para avaliação de saúde. O trabalho ainda não está concluído.


