O traçado, o valor e a extensão exata do ramal Cascavel-Foz do Iguaçu da Ferroeste serão definidos em dez meses, após ser concluído o projeto técnico da ferrovia. A empresa Vega Engenharia venceu a concorrência para planificar a obra, que deve estar pronta em 2001. A empresa firmou contrato com a Ferroeste no último dia 24, em Curitiba.
A estimativa é que o trecho custe em torno de R$ 170 milhões e tenha 179 quilômetros. Ao contrário dos outros trechos da ferrovia, a construção do ramal Foz deve ter participação da iniciativa privada. A estrutura de apoio da ferrovia deve ser erguida simultaneamente à implantação dos dormentes, trilhos, pontes e viadutos. ‘‘Deste modo, quando o governo terminar sua parte, a Ferroeste já estará pronta a operar com estações de carga e armazéns’’, ressaltou Osires Stenghel Guimarães, presidente da Ferroeste e ex-ministro dos Transportes.
Stenghel esteve em Foz do Iguaçu proferindo uma palestra a empresários da região. Em sua exposição o ex-ministro, que também é superintendente do porto de Paranaguá, abordou o papel do novo trecho no plano de integração viário que será implantado a longo prazo no Estado. ‘‘A Ferroeste chegando a Foz abre caminho para que o centro-sul brasileiro fique mais perto do Oceano Pacífico’’, disse Stenghel, se referindo à possível integração, via ferrovia, com o porto chileno de Antofogasta.
Durante a palestra Stenghel revelou que a Ferropar - concessionária que arrendou por 30 anos o trecho Guarapuava-Cascavel - será uma participante preferencial para o leilão do novo trecho no ano que vem. ‘‘Estamos tendo pequenos problemas em alguns pontos para o cumprimento integral do contrato com a Ferropar. Mas, por enquanto eles são perfeitamente contornáveis’’, avaliou.
Com a conclusão da Ferroeste, Foz do Iguaçu será a única cidade fronteiriça do Mercosul a contar com acesso viário duplicado, ferrovia e hidrovia. O secretário de Indústria e Comércio de Foz do Iguaçu, Eron Marchiori, resumiu a impressão da platéia depois que Osires Stenghel Guimarães encerrou sua exposição: ‘‘Enquanto o sistema de transporte multimodal não for implantado, ficaremos dependente da nossa atividade básica, o turismo, sem a necessária diversificação’’.Ney de SouzaOsires Stenghel Guimarães, presidente da Ferroeste, fez palestra sobre a ferrovia em Foz do IguaçuLúcio Flávio Moura
Especial para a Folha

mockup