Projeto espacial tem mais de 40 anos
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sábado, 30 de agosto de 2003
Evanildo da Silveira<br> Agência Estado 
São Paulo O acidente ocorrido no último dia 22, no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no qual morreram 21 pessoas, colocou no centro das atenções o programa espacial brasileiro. Apesar de só receberem atenção em época de lançamento de satélites e foguetes ou em caso de acidentes e serem praticamente ignoradas pela maior parte da população, as pesquisas espaciais no Brasil são mais antigas do que se imagina. São mais de 40 anos de estudos e projetos na área.
Nesse período, o Brasil investiu mais de US$ 1,3 bilhão em seu programa espacial. É pouco, se comparado com o que investem outros países. Só em 2002, os Estados Unidos, por exemplo, investiram US$ 14 bilhões na parte civil de seu programa espacial outros US$ 14 bilhões foram gastos no setor militar. A Índia, país em desenvolvimento assim como o Brasil, investiu US$ 453 milhões.
Neste ano, o Brasil não chegou nem perto deste valor. Estão previstos no orçamento do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) investimentos de R$ 78 milhões ou cerca de US$ 26 milhões. Esse valor cai para US$ 22,9 milhões se forem descontados os gastos com a Estação Espacial Internacional, de cuja construção o Brasil participa, pesquisa e desenvolvimento, formação de recursos humanos e capacitação do setor produtivo.
Mais grave do que a própria escassez é o fato dela vir aumentando. Em 1985, o Brasil investiu US$ 91,8 milhões, valor que foi crescendo até atingir o pico de US$ 129,9 milhões em 1988. Daí em diante os recursos foram minguando ano a ano até chegar a meros US$ 9,8 milhões em 1999. De lá para cá houve uma discreta recuperação, mas o dinheiro ainda está longe do necessário.
Mesmo sendo pouco, muita gente pode achar que o Brasil faria melhor se usasse esses recursos para sanar carências mais urgentes, como saúde, por exemplo. Não é bem assim. Um país grande como o Brasil e que quer se desenvolver não pode abrir mão da tecnologia espacial. ''Nós precisamos, por exemplo, de satélites de comunicação'', diz o brigadeiro reformado Hugo Piva, um dos idealizadores do projeto do Veículo Lançador de Satélites 1 (VLS-1) brasileiro. ''Um país com a extensão do Brasil não pode ficar sem eles.''
Ainda de acordo com Piva, o País também precisa de satélites de observação da terra (sensoriamento remoto). ''Temos de saber o que existe em nosso território'', diz. ''Esses artefatos podem ver lugares inacessíveis, prospectar minerais, ajudar a agricultura a fazer previsões de colheita e do clima e observar as florestas. O Brasil não pode colocar informações tão importantes como essas na mão de países estrangeiros, alugando os satélites deles.''
O reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Carlos Henrique de Brito Cruz, concorda com o brigadeiro. ''O Brasil precisa se conhecer para poder traçar suas políticas e estratégias de desenvolvimento'', explica. ''Para isso, tem que ter capacidade de construir e lançar satélites. São tecnologias que nenhum país repassa aos outros. É necessário aprender fazer sozinho.''


