Projeto esclarece dúvidas por telefone
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quarta-feira, 19 de abril de 2006
Vera Fiori<br>Agência Estado 
São Paulo- No fim dos anos 1990, o psicoterapeuta Moacir Costa dividia o microfone da rádio ''Jovem Pan'', de São Paulo, com o infectologista David Uip. Falavam de sexo, embora com enfoques opostos. Uip levava ao público as sombrias estatísticas de morte por aids e, Costa, tratava de sexo e qualidade de vida. A repercussão foi tal que o psicoterapeuta - com especialização em Sexualidade pela Universidade de Cornell, Nova York - passou a ser consultor de outras rádios e também da mídia impressa.
Não apenas deu certo, como a demanda pelo assunto (um tabu, em outras épocas) foi o ponto de partida para a criação do bem-sucedido ''Projeto Amar Bem'', um serviço gratuito de atendimento pelo telefone. É oferecido por uma equipe formada por urologista, ginecologista, psiquiatra e 12 psicólogos, todos voluntários. ''Em três anos, foram atendidas 27 mil pessoas de todo Brasil, 46% do Estado de São Paulo'', comenta o especialista, autor de vários livros, os mais recentes, ''Mulher, a Conquista do Prazer'' e ''Quando o Sexo é Mais Rápido que o Prazer'', ambos da editora Prestígio.
Ainda, para levar as informações para mais pessoas, em parceria com as secretarias de Saúde e dos Transportes, já foram distribuídos 500 mil folhetos educativos nas estradas brasileiras, com temas que variam de sexo e hipertensão a gravidez na adolescência.
Os 25 anos de prática clínica, com atendimento individual e de casais, permitem ao psicoterapeuta o esclarecimento de todos os tipos de dúvidas que afetam homens e mulheres - por sinal, eles têm expectativas bem diferentes quando o assunto é sexo.
''Enquanto o homem é obsessivo pelo tamanho do pênis e pela sua performance na cama, a mulher valoriza as atitudes e as manifestações de afeto.'' Segundo ele, culturalmente o homem é menos aberto a trocas afetivas, enquanto as mulheres expressam melhor seus sentimentos. Tanto que, nas consultas masculinas, as principais queixas são bem específicas, como disfunção erétil ou ejaculação precoce. As femininas giram em torno da falta de desejo e questões emocionais.
Em um de seus livros, o médico discorre sobre a importância que as mulheres dão ao beijo como aquecimento nas preliminares, ao passo que os homens vão direto às áreas genitais, estão sempre às voltas com o seu próprio desempenho e têm recordes de número de relações. Em miúdos, sexo de quantidade e não de qualidade.
E como o homem atual reage frente à recente liberação feminina? ''Educado para ser o provedor e tomar a iniciativa da conquista, depara-se com uma mulher sexualmente mais liberada, segura, e se retrai, sem se fixar nos relacionamentos. A auto-estima masculina é baixa e está mais ligada ao sucesso profissional'', responde.


