O Ministério da Educação (MEC) só trabalha com a hipótese de aprovação, amanhã, na Câmara, do projeto de lei que concede gratificações aos professores universitários. Os técnicos do MEC ainda não estão discutindo propostas salariais para os servidores técnico-administrativos e professores de 1º e 2º graus das universidades, também em greve. Mesmo assim, o relator do projeto das gratificações, deputado José Jorge (PFL-PE), acredita na possibilidade de acordo com a oposição.
Já o líder do PT na Câmara, deputado Marcelo Déda (SE), disse que será difícil aprovar o projeto dos professores sem o compromisso do governo com as duas outras categorias. O MEC negociou com os servidores uma reorganização na carreira que resultaria em reajuste médio de 20%, mas as discussões foram suspensas. Segundo uma fonte do ministério, o governo estaria protelando negociações com setores isolados porque estaria em estudo a possibilidade de estender aos servidores federais civis os 28% concedidos aos militares no governo Itamar Franco.
No caso dos professores de 1º e 2º graus, qualquer aumento negociado para eles seria estendido também aos mais de seis mil docentes de ex-territórios que estão na folha de pagamento da União.
O relator do projeto de gratificações acha que o prazo, curto, favorece o acordo. Qualquer benefício salarial deve ser aprovado e sancionado até o dia 3, por força da lei eleitoral. Hoje, José Jorge reúne-se com o comando de greve dos professores e até amanhã de manhã fará um substitutivo a ser negociado em uma reunião de líderes. ‘‘Podemos alterar alguns pontos polêmicos, como os critérios para medir a produtividade do professor’’, adiantou, sem dar maiores detalhes.
O comando de greve informou ontem que duas universidades, a de Brasília e Federal do Rio de Janeiro, já haviam feito assembléia e decidido continuar em greve. Também dispostos a permanecer em protesto estão os 18 professores em greve de fome há oito dias. ‘‘Estamos cansados, mas vamos continuar até as negociações acontecerem’’, afirmou o professor de matemática Nelson Doki, 50 anos, que já perdeu quase sete quilos.

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