Projeto do governo permite que policial se infiltre no crime
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terça-feira, 16 de novembro de 1999
Por Angela Lacerda 
Recife, 16 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso encaminhou ao Ministério da Justiça, para análise, um anteprojeto de lei, elaborado pela Secretaria Nacional Antidrogas, que prevê a infiltração policial no narcotráfico. A idéia, segundo o secretário nacional Antidrogas, Walter Maierovitch, é dotar a legislação brasileira de mais um instrumento - considerado eficaz em todo o mundo - no combate ao tráfico de drogas.
Maierovitch, que abriu hoje no Recife o I Fórum Pernambucano Sobre Consumo de Uso Indevido de Drogas, frisou a importância de leis adequadas que permitam uma efetiva ação contra o narcotráfico. De acordo com o secretário, um policial que se infiltrasse no mundo do crime, hoje, seria considerado criminoso, mesmo que a sua intenção fosse a de desbaratar uma quadrilha.
O texto do anteprojeto determina que a infiltração deve ter autorização judicial e o acompanhamento do Ministério Público, enquanto os policiais devem ser altamente treinados. Maierovitch deu como exemplo da eficácia da infiltração policial a operação "Green Ice", que envolveu oito países - incluindo os Estados Unidos, Itália, Espanha e França - e conseguiu, em um único dia, prender 168 grandes narcotraficantes e apreender US$ 155 milhões. Segundo ele, depois de conquistar a confiança da gangue, os agentes infiltrados convenceram os chefes a lavar dinheiro sujo em uma corretora com sede em San Diego (EUA), caindo na armadilha.
Diante da ausência de fronteiras no tráfico das drogas, o secretário ressaltou a importância de acordos internacionais de colaboração no combate ao narcotráfico. Segundo ele, acordos desse tipo já foram firmados pela secretaria com a Espanha, Romênia e Peru. Com os Estados Unidos está sendo acertado um convênio.
Maierovitch disse não ver a CPI do Narcotráfico - que está ajudando a desbaratar esquemas envolvendo empresários, juízes e políticos - como concorrente da Secretaria Nacional Antidrogas, que desenvolve inúmeras atividades de prevenção, tratamento e repressão. Ele propôs que a CPI se torne permanente como ocorre na Itália com a Comissão Parlamentar Anti-Máfia. "A visão de concorrência e de corporações só favorece o crime organizado e as drogas", afirmou.
O secretário abriu, semana passada, um encontro da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, e no dia 24 faz conferência em Nova York, a convite da Organização das Nações Unidas (ONU), sobre o poder da corrupção das drogas. Amanhã (17), ele assina um convênio de repasse de verbas do Fundo Nacional Antidrogas (formado a partir da venda de bens de traficantes) em Belo Horizonte e na sexta-feira (19) participa do Fórum Estadual Antidrogas em Vitória.


