Projeto de trem-bala está parado
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segunda-feira, 18 de outubro de 1999
Por Marli Olmos Atenção Editor: correção no terceiro parágrafo 
São Paulo, 19 (AE) - O projeto do trem-bala, que ligará Campinas ao Rio de Janeiro, ainda não saiu do papel. "Se o governo não tem dinheiro para investir em rodovias, não pode gastar num transporte deficitário", disse o secretário de transportes terrestres do Ministério dos Transportes, Humberto Habbema de Maia. Ele lembrou que na atual malha ferroviária os trens trafegam numa velocidade de 50 quilômetros por hora. "Não dá para colocar um trem-bala porque ele iria descarrilar", explicou.
Segundo Maia, o edital de convocação para privatização da Ferrovia Norte-Sul deverá ser publicado entre março e maio do próximo ano.O secretário participou da abertura da feira "Negócios nos Trilhos 99", em São Paulo, que está reunindo 110 fornecedores de equipamentos ferroviários.
Segundo o vice-presidente do Sindicato Interestadual da Indústria de material e equipamento ferroviário (Simefre), Maximo Giavina-Bianchi, com a privatização as novas empresas já anunciaram investimento de US$ 1,5 bilhão este ano.
O crescimento no transportes de carga por ferrovia deverá crescer 14% este ano, segundo previsões do setor, que no ano passado alcançou 240 milhões de toneladas. O setor está tentando conquistar o mercado de carga de produtos de alto valor agregado. O setor ferroviário espera faturar este ano US$ 1,2 bilhão. No ano passado fechou com US$ 850 milhões e no ano anterior, US$ 600 milhões.
As exportações do setor estão se intensificando. A Alston fechou contrato para enviou de 80 carros para o metrô de Buenos Aires. A Maxion está exportando vagões de carga para Peru e Argentina e Mafersa vende rodas para os metrõs de Nova Iorque e Chicago.
As concessionárias de ferrovia suspenderam os investimentos este ano em razão das altas taxas de juros. Segundo o secretário de transportes terrestres do Ministério dos Transportes, os investimentos deverão ser retomados no início do próximo ano, quando o setor espera que os juros baixem para um dígito.
O vice presidente do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários (FIMEFRE), Maximo Giavina-Bianchi, reclamou ao secretário a inexistência de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para investimentos no mercado interno. Segundo ele, os recursos do BNDES são mais fáceis para a exportação.


