Projeto de saneamento do Brasil é mostrado na França
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terça-feira, 12 de dezembro de 2000
Agência Estado De Paris 
Em reunião com autoridades e investidores franceses especializados no setor de saneamento, o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, anunciou no final de semana que o governo brasileiro adotará um plano nacional integrado de tratamento de água, esgoto e lixo. O objetivo do governo é reduzir a poluição dos rios e centros urbanos, melhorando a saúde pública.
Os investidores nacionais e estrangeiros, disse Sarney, terão as garantias necessárias da União, pois a Agência Nacional de Águas (ANA) cobrirá as despesas de Estados e municípios na implementação do plano, que terá também a participação de organização não-governamentais. As populações ribeirinhas sobretudo serão representadas nos comitês de gestão de nossas bacias hidrográficas, que funcionarão como verdadeiros parlamentos, onde se definirão os usos dos recursos hídricos, disse o ministro.
O plano nacional está em fase final de elaboração, tem a aprovação da equipe econômica, e está no projeto plurianual do governo federal com o nome de O Brasil joga limpo. Este plano dá especial atenção à região Sudeste, por ser a mais industrializada e sujeita à poluição.
No encontro com o ministro brasileiro, o engenheiro Gérard Mestrallet, presidente da companhia Suez Lyonnaise des Eaux, que já opera no Rio (tratamento de lixo) e em Manaus (serviços de abastecimento de água), decidiu enviar uma equipe de técnicos ao Brasil para estudar as carências das diversas regiões do País.
Os dados que informam sobre O Brasil joga limpo chamaram a atenção dos especialistas europeus pela abrangência: dos 40,6 milhões de domicílios brasileiros, 22,3% não são atendidos por rede de água, 57,1% não têm esgotos sanitários e 23,7% não contam com a coleta de lixo. Menos de 5% dos esgotos recebem algum tratamento. Daí o fato de que 10 bilhões de litros de esgotos brutos são lançados diariamente nos cursos de água. Calcula-se em 50 milhões o número de pessoas que não são atendidas pela rede de esgotos nas cidades brasileiras.
Não são menos impressionantes as consequências: 180 mil pessoas morrem anualmente pelo consumo de água contaminada. O déficit sanitário responde por 65% do total das internações nos hospitais públicos e conveniados do Brasil. Pelos cálculos de Sarney Filho, para cada R$ 4 investidos em saneamento haveria uma economia de R$ 10 em internações hospitalares. Mas temos que andar depressa, para que estes números não mudem para pior com a incorporação de mais 70 milhões de habitantes urbanos nos próximos 15 anos, disse.


