Projeto de lei gera confronto entre motoristas e perueiros
Agência Estado
De São Paulo
A estratégia dos vereadores que apóiam o prefeito Celso Pitta (sem partido), de colocar em votação ontem o projeto que regulamenta cerca 4,2 mil perueiros para desviar a atenção da votação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar irregularidades na administração municipal, transformou o Viaduto Jacareí em uma praça de guerra. Três batalhões da Tropa de Choque da Polícia Militar entraram em confronto com perueiros, motoristas e cobradores de ônibus.
Os profissionais das duas categorias ocuparam as ruas em frente da Câmara para pressionar os parlamentares. De um lado, perueiros queriam a aprovação do projeto. De outro, motoristas e cobradores queriam que o projeto fosse votado apenas se os vereadores aprovassem também uma lei que garanta o emprego de cobradores apesar da instalação de catracas eletrônicas.
As vans e peruas começaram a obstruir o viaduto ainda durante a madrugada. Pela manhã, por volta das 8 horas, chegaram os ônibus com motoristas e cobradores. Em seguida, a Tropa de Choque. Os policiais foram até os perueiros e ordenaram que retirassem as peruas. Os manifestantes resistiram até a primeira explosão de uma bomba de gás. Depois, retiraram os veículos.
Do outro lado da rua, motoristas e cobradores assistiam à cena. Os soldados da PM, assim que os perueiros saíram, cruzaram o viaduto. Os motoristas também resistiram em fazer o que os policiais ordenavam. Bombas de gás e de efeito moral foram lançadas contra a multidão. Os manifestantes revidaram arremessando pedras.
A polícia conseguiu separar os manifestantes. Cada grupo ocupou um dos lados da rua. Os soldados da Tropa de Choque ficaram perfilados diante da porta da Câmara. O tumulto parecia ter terminado às 10 horas, quando uma bomba explodiu.
Policiais logo arrastaram dentre os motoristas e cobradores um homem com ferimentos na mão e na barriga. O cobrador Gilberto Maurício dos Santos disse que segurava uma das bombas lançadas pela polícia que não havia detonado. Pouco depois, funcionários da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) tentaram guinchar dois ônibus que estavam ali. Os motoristas protestaram e houve novo confronto com a Tropa de Choque. Cerca de 160 PMs participaram da operação. Havia quase 400 manifestantes. Seis homens foram presos.





