Projeto de inclusão é criticado
População indígena já participa de projeto de inclusão do governo
Projeto de inclusão é criticado
Medida para incluir negros e índios nas universidades é vista com desconfiança
Agência Folha
Brasília Em seus últimos meses no cargo, o ministro da Educação Paulo Renato Souza decidiu lançar em março um projeto de preparação para uma política nacional de inclusão de negros e índios nas universidades. Hoje o ministério não tem uma política específica para negros e índios. Paulo Renato foi criticado no ano passado por ser contrário à política de cotas, medida que ganhou força em Brasília após a Conferência contra a Discriminação em Durban, África do Sul.
De acordo com Paulo Renato, o projeto servirá para verificar a eficiência dos programas que já existem. A partir daí, vamos estabelecer uma política efetiva de inclusão social, disse. O programa, que deve durar três anos, ficará concentrado em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Maranhão e Bahia e terá um custo total de US$ 9 milhões, dos quais US$ 5 milhões serão emprestados do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). O financiamento já foi aprovado pela Comissão de Financiamento Externo.
Para Ivanir dos Santos, integrante do movimento negro e coordenador do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas, o projeto é uma piada. Era melhor ele pegar o dinheiro e dar bolsas de estudo aos negros que não conseguem pagar as universidades privadas e não conseguem vagas nas públicas.
Para Juçara Vieira, vice-presidente da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação), a iniciativa é mais um projeto de marketing. É preciso, antes de mais nada, aumentar o número de vagas nas universidades públicas, disse. Segundo ela, as universidades e faculdades particulares detém cerca de 70% das vagas. Para ela, os índios atravessam um funil no ensino fundamental, portanto o fortalecimento do ensino médio terá pouco impacto.





