Projeto de ciclovia ignorou ondas
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quarta-feira, 04 de maio de 2016
Fábio Grellet<br>Agência Estado 
Rio - O consórcio Contemat/Concrejato não realizou os cálculos estruturais necessários para prever o efeito das ondas sobre a plataforma da ciclovia Tim Maia, construída pelo consórcio em São Conrado (zona sul do Rio), afirmaram ontem peritos da Polícia Civil. Apoiada nos pilares sem qualquer tipo de amarração, parte da plataforma foi atingida por uma onda e desabou em 21 de abril. Duas pessoas morreram.
Segundo Liu Tsun Yaei, perito responsável pela equipe do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) que analisou os 16 volumes com dados sobre a construção da ciclovia, o consórcio previu o efeito das ondas sobre os pilares que sustentam as plataformas, mas não sobre elas próprias. "Esse cálculo é indispensável para saber como fazer a obra", afirmou.
"A partir desses cálculos os engenheiros saberiam os riscos do impacto das ondas sobre a ciclovia e poderiam estudar várias hipóteses: fazer a amarração do tabuleiro no pilar que o sustenta, fazer um anteparo para conter a força das ondas, fazer uma construção única ou qualquer outra alternativa", disse o perito.
O trecho que desabou da plataforma estava encaixada no pilar de forma diferente dos demais trechos, mas, para o perito, isso não interferiu nem foi causa do acidente. "O pilar continua lá, porque foi construído para suportar a força das ondas. A plataforma não quebrou ao ser atingida pela onda, mas não consideraram que ela poderia ser deslocada pela força do mar. Ela tombou, inteira, e se fragmentou depois, por causa da queda", contou Yaei.
O consórcio Contemat/Concrejato não se manifestou sobre a conclusão da perícia.


