Lucinéia Parra
De Maringá
Adolescentes que participaram do projeto de pesquisa sobre obesidade, desenvolvido pela professora Marieta Fernandes Santos, do Departamento de Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá (UEM), conseguiram perder em média 3 quilos nos últimos meses. O objetivo do projeto foi conhecer como os adolescentes lidam com o excesso de peso e qual a vivência corporal deles frente à redução alimentar e atividades físicas.
Com apoio de uma equipe multiprofissional, Marieta Fernandes iniciou os trabalhos identificando o tipo de alimentação diária dos adolescentes. Participaram do projeto 35 garotos e garotas com sobrepeso – quando o índice de massa corporal é acima de 25 (para calcular basta dividir o peso pela altura ao quadrado) – e obesos, quando o índice é acima de 30.
A primeira constatação foi que os adolescente usam e abusam da gordura. ‘‘Eles têm muita dificuldade em abandonar os alimentos gordurosos’’, atestou Marieta. O sedentarismo é outro problema. A maioria dos adolescentes não pratica nenhuma atividade física e ainda por cima complementa a comida cheia de gordura com doces e refrigerantes. Outra constatação foi que os adolescentes com peso acima do considerado ideal pela sociedade se sentem discriminados e odeiam quando recebem os famosos apelidos tipo: gordinho, bolinha, bola, entre outros.
Para enfrentar os problemas da obesidade e tentar eliminá-la, professores e alunos de educação física e enfermagem iniciaram um programa que envolveu reuniões mensais com a participação de profissionais da área de nutrição. O objetivo foi promover uma reeducação alimentar. Para isso, foram elaborados cardápios especiais que variam de 1.900 a 2.100 calorias.
Os adolescentes tiveram o direito de realizar cinco refeições ao dia, mas eliminaram o excesso de gordura, doces e massas. Além disso, os adolescentes se submeteram a uma série de exercícios físicos programados especialmente para a queima de calorias.
O estudante Ricardo Assakawa, 18 anos, participou do programa e conseguiu emagrecer 9 quilos. Ele foi o campeão da turma em emagrecimento. Quando iniciou no projeto, Ricardo era considerado obeso. Hoje já apresenta sobrepeso. Ele conta que já praticava natação antes do projeto e que também já tinha realizado várias dietas mas que nunca tinha conseguido emagrecer mais do que 6 quilos. ‘‘Eu chegava no máximo aos 114 quilos, mas hoje estou com 111 quilos’’, comemora Ricardo, que pesava 120 kg em setembro.
Por causa da procura e interesse dos estudantes, Marieta decidiu dar continuidade ao projeto no ano que vem. ‘‘Vou considerar este um projeto piloto e propor um projeto de pesquisa e extensão no ano que vem, só que mais abrangente, incluindo por exemplo, profissionais e estudantes dos cursos de psicologia e bioquímica’’, informou.
A idéia de dar continuidade ao projeto também existe em função da dedicação dos adolescentes como Ricardo. ‘‘Não podemos abandonar estes adolescentes que estão se adaptando ao projeto e conseguindo alcançar objetivos sempre tão perseguidos’’.Objetivo foi conhecer como adolescentes lidam com a obesidade e a vivência deles frente à redução alimentar e atividades físicas
James NegriniEXCESSO DE PESOParticipantes do projeto fazem ginástica para ‘‘queimar’’ a gordura: acompanhamentoJames NegriniA conversa antes dos exercícios é para estimular a auto-confiança dos adolescentes

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