Projeto da UEL vai confeccionar 15 mil máscaras para HU
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sexta-feira, 17 de abril de 2020
Reportagem local 
Devido à grande procura, as máscaras hospitalares estão em falta no mercado mundial. Diante desse problema, projeto da UEL (Universidade Estadual de Londrina) resultou no desenvolvimento e produção de um novo modelo de máscara recomendada para profissionais de saúde que poderá substituir o tradicional já utilizado. Na terça-feira (14), 400 unidades foram entregues à direção do HU (Hospital Universitário) e o projeto recebeu a doação de material para a produção de mais 15 mil unidades.
O projeto foi desenvolvido por professores dos departamentos de Enfermagem, do CCS (Centro de Ciências da Saúde), e de Design, do CECA (Centro de Educação, Comunicação e Artes). Para atender a nova demanda, a UEL fez acordo com a PEL I (Penitenciária Estadual de Londrina) para utilizar a mão de obra dos detentos, atendendo uma necessidade de urgência do HU/UEL, que é o hospital de referência para tratamento do novo coronavírus em Londrina. Os modelos são feitos em SMS (Spunbond Meltblown Spunbond), seguindo Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Segundo o reitor da UEL, Sérgio Carvalho, trata-se de um EPI (Equipamento de Proteção Individual) recomendado para os profissionais de saúde neste momento de excepcionalidade. "O trabalho dos pesquisadores foi dar nova vida a um produto conhecido, no caso o SMS. Foi uma adaptação que agora será largamente utilizado pelos profissionais de saúde pública", definiu o reitor.
Segundo ele, a iniciativa da UEL deverá agora ser informada ao Governo Estadual, uma vez que várias universidades públicas do estado também estão atuando em várias frentes, inclusive utilizando a disponibilidade de detentos para produção em larga escala. "Para nós o mais importante é destacar que uma produção científica doméstica nos liberta do mercado internacional neste momento, nos dando segurança para atender os pacientes", afirmou.
A superintendente do HU, Vivian Feijo, destacou que houve, por causa do novo coronavírus, um aumento na procura pelos EPIs e o hospital se deparou com escassez da máscara no mercado. Ela ressalta que mesmo tendo recursos financeiros para comprar o produto, não está fácil encontrá-lo em grande quantidade.
Vivian Feijó ressaltou o papel da equipe da UEL, liderada pelas professoras Danielly Negrão e Thassiana Miotto, na produção de máscaras para o HU. "Só podemos destacar nossa gratidão à essa equipe que teve ousadia de ter a ideia do projeto, colocar no papel, buscar apoiadores e fazer acontecer", afirma. "Para que o mundo se desenvolva e obtenha resultado, precisamos de gente ousada. Que alegria encontrarmos nos dias de hoje um grupo de professores motivados".
INICIATIVA
A iniciativa partiu das professoras Danielly Negrão, do Departamento de Enfermagem, do CCS, e Thassiana Miotto, do Departamento de Design, CECA, preocupadas em oferecer proteção e segurança às equipes de saúde que atendem no HU/UEL. Além do lote de cerca de 400 máscaras entregues nesta terça-feira, as professoras já produziram outras quatro mil unidades, a partir do modelo da máscara tradicional.
A professora Thassiana Miotto explica que a modelo é indicado para proteção, principalmente, das vias aéreas na realização de procedimentos de saúde. A diferença para o protótipo desenvolvido é que a modelagem deste apresenta maior vedação. "Agora nessa situação em que estamos vivendo, a gente precisa barrar o aerossol quando a pessoa tosse ou espirra. Essa máscara foi pensada para não deixar espaço para nenhuma partícula entrar em contato com o profissional de saúde", afirma a professora.
O projeto recebeu a doação de material para a produção de 15 mil unidades. Parceira da proposta, a confecção Cris Jeans, de Cambé, foi a responsável pelo corte do material. A costura e a finalização das máscaras serão feitas por duas empresas (Di Hoffmann e Santa Seta), também voluntárias no projeto. A professora Danielly Negrão afirma que, também, está consolidada a parceria com a direção da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL I) para usar a mão de obra dos internos da unidade.
Ela lembra que a confecção das máscaras em SMS está em consonância com resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). A Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) Nº 356, de 23 de março último, dispõe "sobre os requisitos para a fabricação, importação e aquisição de dispositivos médicos identificados como prioritários para uso em serviços de saúde".
A Resolução trata de normas em regime excepcional e tem validade por 180 dias, em virtude da emergência de saúde pública internacional relacionada ao coronavírus. "Assim, nossas máscaras em SMS são consideradas EPI com cobertura pela legislação", diz a professora.


