Projeto cria reservas particulares de mata nativa
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Carlos Eduardo Kiatkoski <br>Equipe da Folha 
Curitiba - Um projeto da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA) pretende ampliar a conservação de fragamentos de florestas nativas existentes em Curitiba. São aproximadamente mil áreas, todas particulares.
A criação das Reservas Particulares do Patrimônio Natural Municipal (RPPNM), como são chamadas essas áreas, traz inumeros benefícios aos proprietários. Além de receber isenção de impostos, eles podem vender o potencial construtivo de suas áreas para imobiliárias. ''Eles podem comercializar o equivalente ao que poderia ser construído naquele lugar, e usar para construir em outra área'', explica Alfredo Vicente de Castro Trindade, coordenador técnico de flora e fauna da SMMA.
Para se encaixarem no programa, as áreaas devem possuir 70% de cobertura nativa. Segundo Trindade, a cidade possui ainda 18% de florestas nativas, um privilégio que poucas têm atualmente. O processo para transformar a área em RPPNM dura em média seis meses, e após aprovado o terreno torna-se uma área de proteção permanente.
A parceria entre a SPVS e a Prefeitura de Curitiba ocorre desde 2008, por meio do projeto Biocidade. ''Sem essa parceria, o município não poderia alcançar parte dessa população envolvida com a conservação da biodiversidade, atendida e orientada pontualmente pela SPVS'', afirma.
Prova desse engajamento é de Rosaldo Michele. Ele herdou uma área de 22 mil metros quadrados de mata nativa conservada no Tatuquara, que pretende transformar em RRPNM. Rosaldo decidiu ingressar no projeto do Condomínio da Biodiversidade (Conbio) após saber os benefícios que a conservação da área lhe trariam. ''Eu soube do Conbio depois de uma visita que os técnicos da SPVS fizeram ao meu vizinho no ano passado'', explica.
Para o proprietário, o que chamou atenção foi a forma da implantação do projeto. Segundo ele, a iniciativa é um prêmio a quem preservou a natureza por tantos anos. Outro atrativo é o potencial construtivo que pode ajudar a conservar a área economicamente. ''O interesse eu já tinha, o projeto só veio a acrescentar minha vontade'', conta.
Conbio
O Condomínio da Biodiversidade (ConBio) é um grupo sem fins lucrativos mantido por parcerias entre pessoas físicas, empresas, SMMA e as instituições SPVS e Mater Natura Instituto de Estudos Ambientais. Criado a partir da preocupação com as áreas naturais remanescentes da Região Metropolitana de Curitiba, o projeto envolve mais de 300 proprietários que têm potencial de preservação de 14 milhões de metros quadrados de florestas nativas no meio urbano. A meta é atingir 500 integrantes do Conbio até 2011.


